21/01/09

12 PALAVRAS


Não há nada mais fascinante do que conhecer in loco novas culturas.
Assim o fiz mais uma vez. Sou uma privilegiada, Deus tem sido meu Amigo por me proporcionar momentos tão magníficos.
Consegui realizar mais um sonho na minha vida.
Índia – outro continente à descoberta.
Pelas ruas o silêncio da pobreza, a lixeira é um unguento à nossa vista.
Incomoda. Arrepia.
Sinto a infinitude de olhares mergulhados no pensamento distante.
Passo junto às paredes e olho com comiseração para alguns sem-abrigo deitados no chão. Dormem.
Tentam esquecer aquilo que os rodeia, sugados pela aleivosia do mundo à sua volta.
No fim do passeio, outro mundo me espera, o hotel apalaçado é o meu refúgio, o meu eremitério.
Aqui a realidade é bem diferente.
É uma preciosidade caída dos céus, envolta em luxos e prazeres.
Mais mimos me oferecem, como a manta urdida em pedaços de lã, que me aquece o corpo.
Chegou o tão esperado dia em que visitei o famoso Taj Mahal, local de culto com todo o seu misticismo. Centenas de pessoas em fila para visitar o seu interior, não tão belo como o exterior. Ergo as mãos ao alto em agradecimento por ter realizado este sonho.
Já de regresso, no avião olho pela janela e avisto o sincelo emoldurando a pequena vidraça, quase impedindo de ver o céu estrelado.
Chega a hospedeira com o tabuleiro, onde além de um sumo, trazia pão, manteiga, doce de morango e uma salada de frutas. Depois desta ligeira refeição, fecho os olhos e adormeço em paz, embalada pelo trepidar do voo.
Quando cheguei da viagem de férias à Índia reparei que corria pela net, um jogo de palavras, que culminou com a publicação deste livro da imagem. Ainda fui ver quais eram as palavras para também poder participar, mas...já não fui a tempo.
De qualquer modo, aqui está o texto que fiz com as 12 palavras.
Partilho-o convosco.

16/01/09

Prémio Nobel de Medicina e Fisiologia

Ontem - 5ª feira fui visitar a Tânia. Tal como alguém escreveu no blog do bookcrossing, a coisa não correu nada bem:
As notícias de hoje à noite não foram muito boas. A Tânia teve a visita da tia e não reagiu à sua presença e encontra-se mais sonolenta. Esteve a partir da tarde sempre sonolenta sem demonstrar qualquer tipo de reacção.Sei que não era isto que queriam ler mas temos que pensar que a Tânia foi operada ao coração, estando já num estado de saúde muito precário antes. O que os enfermeiros e médicos nos dizem é que estas situações demoram sempre muito tempo até que o paciente se encontre estabilizado e, como nós não queremos, mas seria de esperar, vão existir dias bons e dias menos bons. Infelizmente este é um deles.A sua situação mantém-se estável, apesar de não ter tido reacções hoje à tarde e noite...
Não é fácil chegar ali e ver a Tânia rodeada de vários equipamentos parecidos com estes. Para quem é impressionável, se estes 4 vos impressionam, imaginem outros quatro e alguns bem maiores que estes. Todo o corpo da Tânia está inactivo, as máquinas é que trabalham por ela, o ventilador faz com que ela respire através da máquina; o tubo naso-gástrico faz com que ela se alimente pelo tubo; o coração funciona através do suporte ventricular que está depositado em cima da barriga dela, como é transparente vê-se o sangue a ser bombeado e ouve-se o pum,pum,pum,pum...o tique-taque de qualquer coração; está algaliada por isso, não sente vontade de urinar, enfim...tudo o que podem imaginar não é nada do que se vê, indo lá visitá-la.
Também tinha uma fita adesiva colocada na testa, que está ligada por um fio a um monitor que mostra toda a sua actividade cerebral; como se estivesse a fazer um electroencefalograma contínuo.
Só bombas de infusão ou seringas infusoras eram 6 a levar medicação por imensos tubos para o cateter da Tânia.
As bombas de Infusão de seringa, utilizam seringas de injecção descartáveis comuns para infundir. Por meio de um dispositivo mecânico, um accionador vai empurrando o embolo da seringa continuamente, podendo ser um eixo sem-fim ou engrenagens tipo pinhão e cremalheira. Um tubo fino (equipo de seringa) conduz o líquido da seringa para dentro do corpo, que pode ser por uma agulha de injeção ou cateter. São os modelos de maior precisão e fluxo contínuo.
Talvez por ter olho clínico, devido ao facto de ter trabalhado 6 anos em hospitais, durante 6 meses num Serviço de Urgência, onde vi coisas idênticas, mas...nada igual. A Tânia é uma heroína, uma vencedora, porque passar por aquilo que ela está a passar, só vendo, não se imagina, como algumas pessoas dizem:
Eu imagino!!!
Não, digo-vos que não imaginam.
Reparei que havia insulina, furosemida, dopamina e também estava a fazer plaquetas. Assustei-me e questionei a enfermeira que me disse logo:
isso, só o médico lhe pode explicar o motivo dela estar a fazer plaquetas, mas...como não é um familiar próximo, nem pai nem mãe, o médico não é obrigado a responder!!!
Bem...aqui a coisa mudou de figura, argumentei e pedi que queria falar com o médico e consegui, lá me explicou o motivo de ter que fazer plaquetas e foi muito mais simpático e acessível do que a dita enfermeira, mas isso já é normal, eu que trabalhei num meio hospitalar, as equipas de enfermagem arrebitam sempre mais cabelo que a própria equipa médica...enfim...
Segue uma pequena explicação da dopamina:
A dopamina é um
neurotransmissor, precursor natural da adrenalina e da noradrenalina. Tem como função a actividade estimulante do sistema nervoso central. Estimula os receptores adrenérgicos do sistema nervoso simpático.Também actua sobre os receptores dopaminérgicos nos leitos vasculares renais, mesentéricos, coronarianos e intracerebrais, produzindo vasodilatação. Os efeitos são dependentes da dose.
O fármaco furosemida, também conhecido pelo nome comercial Lasix®, é um medicamento da classe dos diuréticos da alça, que aumentam de forma intensa a excreção de urina e sódio pelo organismo. A sua principal utilização é na remoção de edema causado por problemas cardíacos, hepáticos ou renais.

Graças a três neurocientistas pioneiros, decorria o ano de 2001, foram os vencedores do Prémio Nobel de Medicina e Fisiologia, "pelas suas descobertas sobre a transdução de sinais no sistema nervoso". Transdução de sinais é o processo pelo qual as células nervosas se comunicam. Cada um dos vencedores estudou mudanças que ocorrem no interior das células nervosas. Os prémios foram dados em Estocolmo, Suécia, em Dezembro de 2001.
E os premiados são:
Arvid Carlsson
Cargo: Professor emérito de Farmacologia - Universidade de Gotenburgo, Suécia - Idade: 77 anos
Arvid Carlsson mostrou que a dopamina é um importante neurotransmissor no cérebro. Neurotransmissores são substâncias químicas que transmitem sinais de uma célula nervosa para a outra. Em 1950, os cientistas acreditavam que a dopamina era apenas uma substância química utilizada na fabricação de outro neurotransmissor, a noradrenalina (também chamada de noroepinefrina). Carlsson descobriu como medir níveis de dopamina em certos tecidos do cérebro, e descobriu que a dopamina estava concentrada em áreas diferentes daquelas onde a noradrenalina é normalmente encontrada. Na verdade a dopamina é si própria uma substância neurotransmissora. E onde estava concentrada a dopamina? Carlsson descobriu que a dopamina era presente em grandes concentrações nos Gânglios da Base, uma área do cérebro importante para a coordenação de movimentos do corpo.
Paul Greengard, Ph.D.
Cargo: Professor do Laboratório de Neurociência Molecular e Celular, Rockefeller University, NY, EUA - Idade: 74 anos
Paul Greengard queria saber como as células nervosas transmitiam seus sinais. Ele estudou a dopamina e outros neurotransmissores como a noradrenalina e a serotonina para descobrir como estas substâncias afectam o sistema nervoso. Este tipo de pesquisa "no nível molecular", ou seja através do estudo de como moléculas de neurotranmissores afectam as células nervosas, especialmente na sinapse. O entendimento de como as células nervosas se comunicam entre si e como passam o seu sinal adiante, permitiu um grande avanço no nosso entendimento de como as diferentes drogas, como as utilizadas na depressão ou em outros problemas psiquiátricos, funcionam no cérebro.
Como as células nervosas se comunicam? A célula nervosa produz um impulso eléctrico, chamado de potencial de acção. O potencial de ação ao chegar no final do axônio, faz com que haja a liberação de neurotransmissores. Estes neurotransmissores passam para uma segunda célula nervosa, que ao perceber a sua presença gera um potencial de acção próprio. Um dos eventos críticos nesta sinalização é a fosforização. Este é o processo pelo qual as proteínas são modificadas através da adição de um fosfato à sua cadeia. Isto muda a forma e a função da proteína. Estas proteínas desempenham um importante papel na alteração das propriedades da célula nervosa, permitindo a que o potencial de acção seja criado. Esta série de eventos é chamada de transdução e é como as células nervosas enviam sinais.

O entendimento de como a sinalização funciona em circunstâncias normais tem ajudado os pesquisadores a tratar distúrbios nos quais a sinalização é anormal.
Greengard doou a sua parte do prémio para um fundo para mulheres que trabalham com pesquisa biomédica da Rockfeller University. Este fundo é uma homenagem à sua mãe que morreu dando a luz a ele.

10/01/09

Lá fora a neve cai...

Parece que ainda agora estavamos no Natal de 2008, e já estamos no 2º fim de semana de Janeiro de 2009 - o tempo voa!!!
Como sempre disse, não gosto de falar sobre o Natal só em Dezembro, qualquer altura do ano é boa pois lá diz o ditado: Natal é quando o Homem quiser!
E, se eu vivesse mais perto de Braga, teria todo o gosto em visitar a freguesia de Priscos, porque num cenário ao qual jovens e velhos responderam ao apelo de voluntariado do padre João Torres, da Paróquia de Priscos, para fazer inscrever no livro do “Guiness-Book” o maior presépio ao vivo da Europa, que dia 21 de Dezembro, entrou em funcionamento na freguesia de Priscos, em Braga.
Abarcando uma área de 20 mil metros quadrados, 400 figurantes e 50 cenários bíblicos, o presépio reconstitui, na quinta da Paróquia de Priscos, o passado cristão, com os participantes vestidos a rigor – e de acordo com as culturas hebraica e romana. O percurso do presépio é feito numa hora, onde tudo é real, contemplando uma multiplicidade de cenários que vão desde aldeias cristãs (romana e judia) até ao templo romano (com acampamento militar), passando ainda pelo mercado, os artífices, o senado romano e a corte do Imperador. Pelo meio, a gastronomia, as danças e a música da época. A entrada é livre, estimando a organização que nos dias de funcionamento do presépio – amanhã dia 11 de Janeiro é a última oportunidade que têm de visitar – passem cerca de 50 mil pessoas pela quinta Paróquia de Priscos.
Imagino como será...amanhã com as temperaturas negativas que tem feito, estes dias por Braga e arredores.
Lá fora a neve cai...

Outra sugestão ainda sobre o Natal:
Até 15 de Janeiro - "Aldeia de Natal", num espaço ao ar livre, em que as crianças podem viver diferentes desafios e brincadeiras, seguindo um percurso que as leva à casa do Pai Natal. A actividade decorre na Quinta dos Moinhos de S. Filipe, aqui mais próximo de mim, em Setúbal, de segunda a sexta, mediante reserva, e ao sábado e domingo, às 15h00.
Informações: 912 283 079 / 965 114 951

Continuando com as sugestões para 2009:
Se sempre quis saber fazer comportas e licores mas nunca teve oportunidade de pôr a mão na massa (neste caso no açúcar, fruta e especiarias), a Oficina da Natureza tem uma boa notícia para si. A 17 de Janeiro, em Ponte de Lima, vai haver um workshop de compotas e licores leccionado pela engenheira hortícola e paisagística Dr. Lúcia Lopes. Marmeladas, conservas, geleias, xaropes, todas estas iguarias vão deixar de ter segredos para si. Pãezinhos sem sal já era...Se vem de longe para aprender, por 50 euros poderá ficar alojado na Casa do Eido da Devessa durante 2 noites, com pequeno-almoço incluído.
O workshop tem o valor de 45 euros.
Descubra pormenores em www.oficinadanatureza.pt.

02/01/09

Chegou 2009 e com ele...


E aí está 2009!
Neste novo ano faça valer as promessas.
Tente deixar de fumar (se for o caso), vá ao ginásio, aprenda coisas novas, esteja mais perto dos que lhe são queridos, cuide de si.
Aproveite todos os bons momentos que a vida lhe dá.
Consulte o calendário e comece já a planear feriados, pontes e fins-de-semana prolongados.
Em 2009 a boa vida continua! No ano que agora dá os primeiros passos, há cinco pontes e 15 feriados para gozar, muitas comemorações para animar os dias cinzentos e fins-de-semana prolongados.
Bom Ano!
Em 2009, faça qualquer coisa de novo!
Burro velho não só aprende línguas, como também aprende a cozinhar, dançar, escrever, jardinar, socorrer, pintar, velejar ou mergulhar. Há mil e uma coisas que ainda vai a tempo de começar a fazer. Já tem resoluções para o ano novo?
No que depender de mim, vou estar sempre atenta a novidades e aqui irei divulgar lugares a visitar, filmes a ver, livros a ler, momentos a aproveitar.
Cinema (filmes que já vi, escrever sobre alguns actores) - Cinema Sempre!!! Poesia (de vários poetas que eu admiro) ou tentativas minhas, quem sabe!
Pensamentos do dia (ilustrados ou não)
Sugestão de leitura – livros novos ou outros.



Continuem a visitar o lindo jardim de tulipas vermelhas que ponho à vossa disposição. Por aqui ainda falarei de todas as coisas boas que aconteceram em 2008. Há quem planeie no início de cada ano certos objectivos, mas...quando nós menos esperamos outras experiências acontecem nas nossas vidas que não foram sequer planeadas e, posso dizer que para mim o ano de 2008 foi rico em novas e agradáveis experiências. A promessa que vos faço é que, sobre 2008, só falarei das coisas boas, as más ficaram enterradas no dia 31 de Dezembro de 2008. Vá de retro, Satanás!

Para os apreciadores de culinária, aprenda: Life Style Cooking - É o chefe José Avillez que convida. Deixe-se tentar por um dos cursos de culinária da Life Style Cooking e tente superar o mestre. Em Janeiro, pode aprender a cozinhar risottos com o chefe André Guerra (dias 12 e 19). Pode enveredar na cozinha indiana, com as dicas do Chef eNyenta Kanji, e ser seduzido pelos aromas e paladares que a caracterizam (dia 6) e estimular os cinco sentidos (dia 13). Pode ainda aprender a fundir sabores com o chefe Augusto Gemelli, não só na cozinha vegetariana (dia 14) mas com o uso do queijo (dia 21). Mas Avillez tem mais cartas na manga, encontre-os em www.life-stylecooking.com.

30/12/08

PARA TERMINAR 2008

É chegado o momento de todos os balanços...pessoais, profissionais, financeiros, reformulação de desejos, traçar metas e objectivos, num mundo e sociedade cada vez mais injusto, carente de tudo.
É ou parece ser, “apenas” mais uma folha que tiramos do calendário… Pode, no entanto, ser um marco determinante de felicidade… como qualquer outra oportunidade que nos é dada…
É tempo de lembrar… de equacionar… deitar fora o que não prestou e guardar com carinho e determinação o que de melhor vivemos… Qualquer passagem conduz a novas perspectivas… Novos horizontes…
Se algo deve mudar… tem forçosamente que começar a mudar dentro de nós…
Que me recorde apenas tive outro ano idêntico a este, em 2006, mas este foi pior do que o outro, definitivamente pior. A intenção deste post precisamente no final de 2008 tem como finalidade “deitar fora o que não prestou” da minha cabeça, dos meus pensamentos e entrar em 2009 liberta de toda a tristeza e mágoa que me acompanhou durante 2008.
Tudo começou pelo simples facto de me ter inscrito no programa “Novas Oportunidades” para concluir o ensino secundário (12º ano) e ter pedido o artigo de trabalhador-estudante, para um dia por semana, apenas em 10 semanas, sair do trabalho após o almoço e assistir às sessões de grupo que implicava a minha inscrição.Quem me chefia, não achou por bem que eu fosse usufruir de algo em prol do meu benefício pessoal e como a direcção me concedeu o dito artigo, iniciou uma guerra aberta comigo logo em Fevereiro de 2008. Daí em diante, as outras colegas diziam ter “pena” de mim, nas mãos dela. Ninguém consegue imaginar a perseguição que me foi feita diariamente. Conseguiu com isso que eu caísse numa depressão major (aguda), associada a um esgotamento nervoso.
Alguns sintomas e consequências desagradáveis pelas quais passei:
O trabalho deixou de ser agradável. Passei a encarar tudo como uma obrigação e sentia falta de reconhecimento pelo trabalho que fazia.
Questionava a minha competência e comecei a duvidar das minhas próprias capacidades. A auto-confiança diminui drasticamente, passou abaixo de zero.
O entusiasmo e a energia iniciais transformaram-se em aborrecimento e fadiga crónica. Fui atingida pela depressão, solidão, ansiedade e doença física.
Numa fase terminal deste processo, o sentimento dominante é o desespero. Comecei a pensar que o esforço não vale a pena e o pessimismo em relação ao futuro apoderou-se de mim. Só me apetecia demitir-me e desaparecer por uns tempos.
Ninguém deve ter vergonha por passar por isto, é uma doença, não é capricho nem mania, nem controlamos como muita gente acha, que é uma questão de querer. Não é. É assunto sério e que deve ser conhecido, debatido, respeitado.
Agora o que mais custa e me deixa revoltada é isto ter acontecido pela maldade de alguém que usa e abusa do poder que tem, em prol de fazer mal a quem nenhum mal lhe fez.
Destrói-se com isto um ser humano e não há “castigo” para pessoas assim…?
Fui tão humilhada, a minha dignidade enxovalhada, que juro-vos, apetecia-me ir a um programa de televisão contar tudo o que ela me fez passar.
Mas… e as consequências depois?
Bem sei que em muitos outros organismos eram os próprios chefes a incentivar os funcionários a inscrever-se neste programa, quantas pessoas amigas e conhecidas estão neste momento a meio deste processo, mesmo dentro das próprias instituições foi criada uma equipa formadora neste sentido…só a mim havia de calhar esta pouca sorte!!!
Afinal, é um direito que tenho ou não?
Quero pôr um ponto final neste assunto, para iniciar um ano que espero ser bem melhor no aspecto profissional e na saúde.
Neste momento apetece-me, acima de tudo, agradecer…
E há tanto que agradecer…
A Deus… aos que me amam… aos que eu amo… a todos vós…
Agradecer o crescimento, sem perder nunca a perspectiva que crescer pode ser doloroso e que a dor não tem forçosamente que ser algo negativo.
Obrigado a todos que me visitaram ao longo do ano e me incentivaram com os vossos comentários. A todos a minha gratidão por terem tornado este inferno que passei, num paraíso sempre que estava na vossa companhia virtual.
Eu desejo sentir cada vez mais que a vida vale a pena, que os obstáculos que surjam sejam enfrentados como desafios a superar e que tenha a coragem suficiente para seguir em frente.

Termino com um pensamento adequado a esta situação:

A provação vem,
não só para testar o nosso valor,
mas para aumentá-lo;
O carvalho não é apenas testado,
mas enrijecido pelas tempestades.
(Lettie Cowman)

FELIZ ANO 2009

24/12/08

ESTOU TRISTE

Lamento não escrever coisas bonitas como todos esperam nestes dias do ano.
Eu sou aquilo que a minha alma e o meu coração sentem, daí que a minha imagem é de alguém muito destroçado.
O meu dia de ontem foi terrível, espero não ter outro idêntico tão cedo...
Também peço que respeitem o meu sofrimento e por isso não vou permitir comentários neste texto tão triste e sentido de forma tão revoltante ao mesmo tempo.
Ontem estava destinado fazer as minhas visitas de Natal a duas pessoas de quem gosto muito, que estão internadas e vão passar o Natal longe do seu lar, num lugar nada agradável.
Tenham ou não perto de si alguém de quem gostam, nunca é a mesma coisa.
Eu sei o que digo, pois trabalhei em hospitais, em enfermaria de Medicina Interna, com situações graves de pessoas muito idosas, mas...na noite de Natal, poucas pessoas ficavam lá internadas. Numa enfermaria de 28 camas, se ficassem 8 doentes era excelente, sinal de que 20 delas tinham ido passar o Natal com os seus familiares ou amigos. Se o escrevo é porque foi isso mesmo que aconteceu.
Mas, ontem... cheguei ao hospital para ver a minha melhor amiga e encontrei-a numa enfermaria de 8 camas, era a única pessoa que lá estava, ali sozinha, abandonada, entregue a si mesma. Que desolação!!!
Completamente pedrada, drogada, seja lá a palavra mais adequada, não era um ser humano que estava ali, mais parecia um vegetal, que queria balbuciar algo e nada saía, ouvi um sussurro arrastado que não se compreendia...
Eu dei-lhe beijinhos, afaguei-lhe o rosto, estava gelada, cobri-a com carinho e fiz-lhe festinhas, que mais podia fazer?
Saí de lá completamente destroçada, mas...com esperança que a próxima visita que iria fazer a outro hospital não fosse tão triste como esta.
Tinha comprado uma prenda que sabia à partida ser do gosto da minha sobrinha e estava curiosa de ver a sua reacção ao abrir a prenda.
Sinto-me bem quando compro um presente e recebo um sorriso da pessoa a quem o ofereço. Juro que era isso que eu esperava ver com os meus olhos a 2 dias do Natal, um brilho no seu olhar, mas...algo pior me aguardava.
Encontro-a também sozinha, numa enfermaria de 3 camas, ali, inerte, completamente "apagada" entregue a si mesma, destapada, virada com a cabeça para os pés da cama...arrepiei-me e a 1ª reacção que tive foi tapar-lhe os pés para não ficar gelada. Umas lágrimas correram e fiquei ali sem saber o que fazer!
Decidi chamar um enfermeiro e perguntar-lhe como ela está e tem passado... algumas respostas me foram dadas, mas à pergunta que fiz:
acha normal ela não se alimentar há tanto tempo? a sua resposta foi evasiva, dizendo que normal não é, pois!!! Perguntei então, quando lhe colocam soro para ser minimamente alimentada e a resposta foi...que "ainda" não é necessário.
A revolta ia aumentando dentro de mim, tinha vontade de gritar, dizer o que me vai na alma, não estou a gostar da forma como ela está a ser "desacompanhada" porque não acho que esteja a ser bem acompanhada...enfim...muito mais haveria a dizer, mas... fico-me por aqui.
O que significa para eles, profissionais da saúde o "ainda" é cedo...será para mim, talvez "tarde demais", tomara que eu esteja errada. Tomara Meu Deus!!!
Depois de solicitar uma folha de papel para deixar um bilhete escrito saí dali, as lágrimas continuavam a deslizar teimosamente, o choro foi aumentando e vim do hospital até casa chorando convulsivamente, conduzindo e pensando:
Isto é espírito de Natal para alguém?
Duas pessoas que me são muito queridas a sofrer, entregues ao próprio destino.
Aquilo que tiver que ser...será!!!
Nós - família e amigos - nada podemos fazer. É esta impotência que me corrói por dentro, querer ajudar e não poder.
Já tinha deixado um bilhete na mesa de cabeceira da minha amiga, outro ali...
Por isso, a todos que me lêem, se eu não passar nos vossos blogues a desejar-vos umas Festas Felizes, não me levem a mal, porque não tenho cabeça nem disposição para nada. Perdoem-me, estou a ser muito sincera.

17/12/08

Hoje APETECE-ME...

Hoje apetece-me falar de algo que sempre me incomodou nos outros, naqueles que me rodeiam – a indiferença pelos sentimentos alheios, muitas vezes a indiferença da dor de alguém de quem se dizem Amigo ou Amiga, com a maior das naturalidades...
Este mês todos falam do Natal e da Solidariedade, mas eu não me apetece falar disso, e posso dizer-vos porquê. Porque acho uma hipocrisia fingir-se preocupados com o que se passa pelo Mundo, quando não têm a mínima preocupação com aqueles que vivem ao seu lado, os tais apregoados amigos.
Ao ler a crónica de Paulo Coelho esta semana na revista Lux, dei comigo a sentir todas as suas palavras como se fosse eu a dizê-las ou escrevê-las.
Quem estiver interessado em ler a crónica ficará com uma ideia mais precisa do que quero dizer, mas para quem não tiver oportunidade de a ler, farei aqui um resumo do principal.
Realmente é muito curioso ver que muitas pessoas se orgulham da sua independência emocional.
Mas, é claro, que não é bem assim: continuam a precisar dos outros a vida inteira, mas é uma “vergonha” mostrá-lo, por isso preferem chorar às escondidas. E, quando alguém lhes pede ajuda, essa pessoa é considerada fraca, incapaz de dominar os seus sentimentos.
Há uma regra não escrita segundo a qual “o mundo é dos fortes” e “sobrevive apenas o mais apto”.
Eu, pela minha parte, continuo e continuarei sempre a depender dos outros. Dependo dos meus familiares, dos meus amigos e até dos meus inimigos, estes ajudam-me a estar preparada para a defesa, de espada em punho, mas é assim que vou desbravando o caminho, cortando as ervas daninhas e descobrindo as belas flores que existem, seguindo sempre em frente.
É claro que há momentos em que este fogo sopra noutra direcção, mas pergunto sempre a mim mesma onde estão os outros. Será que me isolei demais? Ou a indiferença deles faz com que me torne invisível?
A independência emocional não leva a absolutamente lugar nenhum – excepto a uma pretensa fortaleza, cujo único objectivo é impressionar os outros.
Paulo Coelho termina a citar um Prémio Nobel da Paz numa matéria que diz respeito à importância das relações humanas – o professor Albert Schweitzer:
“Todos conhecemos uma doença da África central chamada doença do sono. O que precisamos de saber é que existe uma doença semelhante que ataca a alma – e é muito perigosa, porque se instala sem ser percebida. Quando notar o menor sinal de indiferença e de falta de entusiasmo em relação ao seu semelhante, esteja atento! A única maneira de nos prevenirmos contra esta doença é entendendo que a alma sofre, e sofre muito, quando a obrigamos a viver superficialmente. A alma gosta de coisas belas e profundas”
É assim que eu vivo, eu alimento a minha alma de coisas belas e profundas, mas estou rodeada de pessoas que se querem mostrar mais fortes do que eu e criticam-me por ser como sou.
Espero que ainda vá a tempo de mostrar a essas pessoas que estão erradas e estão a fazer mal à sua própria alma.
Curem-se!!!
Respeitem os sentimentos dos outros!
Parem de criticar.
É esta a minha boa acção no mês de Natal.