14/03/09

Cinema - "O LEITOR"

O mês de Fevereiro foi rico em excelentes filmes e eu tive oportunidade de ver alguns deles. Também acompanhei a cerimónia dos óscares e para o óscar de Melhor atriz, foram nomeadas estas actrizes:
Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A Troca)
Melissa Leo (Frozen River)
Meryl Streep (Dúvida)
Kate Winslet foi a merecida vencedora do óscar, no filme "O Leitor"
A história começa com Michael Berg (Ralph Fiennes) relembrando seu passado. O jovem Berg, interpretado por David Kross, envolve-se num relacionamento com uma mulher bem mais velha, Hanna (Kate Winslet), no final da década de 1950. Depois de uma intensa e peculiar relação sentimental, sexual e de leitura, Hanna desaparece misteriosamente. Oito anos depois, Berg é estudante de Direito e acompanha um julgamento de antigas guardas da SS (a polícia secreta do nazismo), acusadas de homicídio de 300 pessoas.
Para sua surpresa, Hanna é uma das acusadas.
O filme é marcado por três actos: romance, conflito e redenção, muito bem trabalhados pelo talentoso director Stephen Daldry, de "As Horas". Muitos elementos característicos do director estão na fita, como as relações com a arte de ler, a fotografia contrastante (claro e escuro no mesmo plano) nos lugares fechados e o estudo da alma humana em suas profundidades. A história original é de um livro, mas Daldry consegue colocar suas marcas ao fazer um filme, no mínimo, inquietante.
O romance entre os protagonistas é, do ponto de vista cinematográfico, muito sincero. Uma mulher e um garoto (o actor não é menor de idade) aparecem nus, juntos na cama. Essa sinceridade causa o primeiro impacto, já que estamos acostumados a assistir àquelas cenas, repletas de hipocrisia, nas quais a relação sexual é tratada de outra forma. Destaco a cena em que Berg janta com a família e se lembra de sua aventura, memorável! Sem falar da peculiaridade relacionada à leitura de livros…
Quando o filme avança no tempo e assistimos ao julgamento de Hanna, várias questões polémicas envolvendo Ética e Direito vêm à tona. Hanna enxerga tudo em termos absolutos, é próprio de autoritarismos enxergar o mundo por uma óptica de absolutos. Ela tinha ordens de seus comandantes e tinha que cumpri-las a qualquer custo, poderia ser julgada culpada por isso?
Aliás, durante as décadas de 1930 e 1940, até o fim da Segunda Guerra, a sociedade alemã era conivente com o nazismo. O regime totalitário exercia repressão, mas não podia se sustentar sem apoio. A questão que se coloca é: poderia Hanna ser julgada por leis posteriores ao período em que trabalhou? Afinal, na sua época de "guarda", ela não cometeu crimes, mas ajudou o regime dominante. Ela só passaria a ser vista como um monstro depois de os Aliados vencerem a guerra e levaram a ideologia dos Direitos Humanos aos quatro cantos do mundo.
Conforme a história avança, as nossas opiniões vão sendo confrontadas. Hanna parece ser um monstro, mas a mulher tem outras nuances que desafiam nossa compreensão. Apesar de sua culpa, no final do filme, não poderemos negar a humanidade que existe dentro dela. E todas essas questões vêm envolvidas com o amor pela leitura e por um segredo de Hanna, crucial para algumas questões do filme.
Kate Winslet dá um show à parte, como já é característico de seus trabalhos. Sua expressão é poderosa, seus olhares são cortantes e sua presença em cena já se faz sentir lá dentro do peito. Seu trabalho é competente ao extremo.
O Leitor poderia ter facilmente caído em moralismo, mas, graças ao livro original e ao roteiro e direcção do filme, consegue contar uma história sensível e cheia de nuances. Com indicações merecidas ao Oscar de 2009, este filme entra para a lista de grandes filmes.



Imagens de excelente beleza e sensualidade da actriz vencedora do óscar

06/03/09

OLÁ MINHA "MENINA"

Carta para a Tânia

Olá minha “Menina”
Ando de dia para dia a pensar escrever-te esta carta.
Hoje decidi fazê-lo. Vamos fazer de conta que tu a lês, combinado?
Peço desculpas se, por vezes, as minhas palavras não forem de esperança, de fé, de compreensão. Já me conheces e sabes que não sou de falsidades, o que tenho para dizer, eu digo. É isso que tem dado cabo de mim, é ter muito para te dizer e andar a evitar fazê-lo, porque outros que lêem as minhas palavras têm-me criticado, mas eu já não aguento mais este impasse.
Acordo a pensar em ti, deito-me a rezar por ti.
Durante o dia penso em ti sempre que acontece algo que eu sei que gostavas de fazer, de ver, de partilhar.
Sempre que venho ao blog as lágrimas correm de forma intensa e sofrida, ao ler o que tantas pessoas te escrevem, todos a pedir que recuperes, com palavras de coragem e incentivo. Outros dizem: Não desistas! Fico furiosa quando leio isso, porque acho que tu não queres desistir.
Eu não te peço isso, porque sei que não está nas tuas mãos.
A prova é que já passaste por duas operações difíceis, muito próximas e gravíssimas, estando tão débil e continuas cá, entre nós.
Como diz o médico que te salvou – Dr. Baquero, tu és uma guerreira. Ele sabe bem, no estado lastimável em que te encontrou.
Desde o dia 23 de Dezembro que tudo mudou dentro de mim, quando fui visitar-te e ia toda feliz porque levava a prenda de Natal para te oferecer e, encontrei-te tão mal, abandonada em cima da cama, em sofrimento e desespero, deitada com a cabeça para os pés da cama, o tubo do oxigénio esticado ao máximo e tu não davas acordo de ti; nem deste conta que eu lá estive. Revoltada fui chamar o enfermeiro e disse-lhe que não estavas bem, que estavas com a cabeça para os pés, deitada ao contrário e ele ainda gozou com a situação e disse:
Ah, não se admire, isso é mesmo à Tânia!!!
Essas palavras cortaram-me o coração, por ver a falta de humanidade que existe em profissionais da saúde que lidam directamente com doentes, que são seres humanos. Acabei por lhe pedir uma folha de papel e escrevi um recado para ti, que ficou em cima da mesa de cabeceira e desde esse dia até hoje, não tivemos mais nenhuma conversa como deve ser…
Soube que uma hora depois acabaram por chamar a equipa que estava de urgência para te observar e…o diagnóstico não foi bom, muito pelo contrário. Tanto que no dia de Natal – 25/Dezembro/2008, foste de urgência para a Unidade de Cuidados Intermédios, pois a situação tinha agravado.
Nessa tarde estava eu a preparar-me para te ir visitar e levar a prenda, quando me informaram que tinhas sido transferida e não tinhas visitas.
Minha querida, daí em diante, nunca mais ficaste boa, sabia de ti e apercebi-me que ias piorando de dia para dia, até que um dia resolvi ir visitar-te aos Cuidados Intermédios e… foi a pior visita que fiz em toda a minha vida a alguém.
A dor e a revolta obrigaram-me a apresentar uma reclamação sobre o que vi com os meus olhos. É monstruosa a atitude dos profissionais de enfermagem que estavam de serviço, nesse fim de tarde. Disseram-me coisas horrendas que não pude aceitar; eu nem queria acreditar como existem pessoas assim, a trabalhar com doentes em situação gravíssima.
Insensíveis, desumanos! Umas autênticas bestas.
Também lhes disse que “todo o ser humano tem direito a morrer com dignidade” e a ideia não é abandonar aqueles que acham que “já não vale a pena fazer nada” como me foi dito.
Depois dessa visita, tudo aconteceu, de forma contínua e rápida: a paragem respiratória, as paragens cardíacas, a operação ao coração, uma ligeira melhoria e o momento fatal, quando tiveste o AVC com uma extensão bastante grave e consequente operação à cabeça.
Eu pensava que era uma mulher corajosa, mas porque te amo muito, percebi que não tenho tanta coragem como gostaria ou pensava ter. A última vez que te visitei fiquei de rastos, não aguentei e por duas vezes chorei, foi mais forte do que eu. PERDOA-ME TÂNIA, sinto que sou fraca diante da tua imagem.
A ignorância acerca do teu estado é algo que me tem perturbado bastante. Queria muito saber se nos ouves, se sofres, o que vai dentro de ti, como te sentes durante este tempo horrível de espera, uma espera interminável que destrói psicologicamente aqueles que te amam.
Tantas coisas tenho à tua espera.
Lembras-te das prendinhas que te trouxe, da minha viagem à Índia? Jamais esquecerei o brilho dos teus olhos quando eu ia tirando as pulseiras do saco, o elefante com a tromba virada para cima e disse-te que era sinal de sorte o facto de ter a tromba para cima, a túnica, além daquilo que não levei para tu veres quando estavas na enfermaria. Estou à espera que voltes para casa, para te mostrar a linda colcha que comprei para a tua cama. Logo tu que adoras tudo que tem a ver com o Oriente.
O meu pensamento esteve contigo na noite dos Óscares, pois desta vez consegui ficar acordada até às 5h da manhã a ver toda a cerimónia em directo e pensava: nos outros anos a Tânia via sempre a cerimónia pela noite dentro e eu não podia porque no dia seguinte ia trabalhar. Este ano vi eu tudo e espero por ti para te contar, pode ser?
Sempre que vou ao cinema lembro-me de ti e penso: este filme, de certeza a Tânia gostaria de ver. “Quem quer ser Bilionário” ganhou o Óscar de “melhor filme” e foi todo filmado na Índia; sei que ias adorar ver.
Vou sabendo que a tua mãe leva o teu MP3 e põe-te a ouvir música; levou o terço com cheiro a rosas que eu trouxe do Vaticano e o deixa nas tuas mãos enquanto reza, depois quando o tira diz à enfermeira que cheire as tuas mãos e ela fica deliciada e diz:Humm, que cheirinho a rosas!
Tânia, tenho muitas saudades tuas.
Fazes falta a todos nós, aos teus animais, às tuas amigas, pessoas desconhecidas de todo o mundo e aos teus familiares.
Tânia, o meu maior desejo é que estejas em paz, sem sofrer!
Como eu gostaria de saber se ouves a música? Se ouves o que te dizemos? Se sentes as festas que te faço por cima das sobrancelhas, encostada à ligadura que te envolve a cabeça? Se sentes os beijos que te dou nas mãos e nos braços?
Ai, Meu Deus!!! Quanta mágoa por nada saber! Pior ainda, nada poder fazer…
Em 2008 estiveste internada, passaste mal, mas entretanto recuperaste e no dia 5 de Março deram-te alta, vieste para casa precisamente 2 dias depois do aniversário da tua mãe.
Há um ano atrás estávamos todos felizes por te ter de regresso a casa.
Esta semana voltei à tua casa e estive no teu quarto…
Oh, Tânia, é tão triste olhar para o teu quartinho, as tuas coisinhas e não te ver ali…o Alex(cão) foi logo atrás de mim, com uma tristeza no olhar, um andar arrastado…a tua mãe disse-me logo para não me sentar na tua cama, pois o cão anda a sofrer por sentir a tua falta.
Vês querida, todos queremos que voltes para a tua vida normal, o refugio do teu quarto.
Hoje fui ao Modelo e, tu sabes que logo à entrada há a secção dos livros. Vi o livro “Quem quer ser Bilionário”, precisamente o livro sobre o filme que vi, adorei e ganhou o Óscar; pensei: se eu tivesse a certeza que a Tânia me ouve, comprava o livro e na próxima visita que te fosse fazer, levava e lia-te durante 1 hora para saberes como é a história do filme.
Como vês, minha princesa, a Tia está contigo sempre no pensamento.
Mas, agora vou terminar a carta, não quero que te canses a ler, daqui a uns dias escrevo-te outra vez, pode ser?
É que tenho outras novidades para te contar… será surpresa.
Beijinhos “fofinha” da Tia.


a tua "menina" está triste, sente muito a tua falta, chama por ti!!!

28/02/09

MUITO GRATA

Estou em dívida para com a Amiga Gaivota do blog
Acontece que faz precisamente hoje, um mês que ela me ofereceu este prémio, não estava esquecido isso garanto, apenas aguardava uma oportunidade para lhe agradecer aqui em público.
Fiquei muito sensibilizada pelo miminho!!!
Teria que nomear 8 mulheres que admiro pela amizade e carinho, sensibilidade e conhecimento, simpatia e autenticidade, mas...é uma tarefa quase impossível, visto eu conhecer na blogosfera muito mais do que oito mulheres com estes requesitos todos.
Assim, deixo ao vosso critério levarem este prémio, minhas Amigas.
É uma homenagem merecida a todas vós. Vocês sabem que o merecem!!!
Obrigada Gaivota.

A alegria partiu.
O Sol mais cedo se deitou.
A chuva miudinha caiu,
Então a tristeza chegou.
Neste sábado de Inverno
no último dia de Fevereiro
as nuvens ensombraram o céu
as botas foram para o sapateiro
já precisavam de meias solas
depois de um chuvoso Janeiro.


25/02/09

Óscares do Cinema

Quem me acompanha sabe que adoro cinema. Por isso, a cerimónia dos "Óscares" é sempre um momento alto na minha vida de cinéfila. Gosto de ver a cerimónia em directo, todos os outros programas de resumo sobre a mesma, para mim não tem qualquer valor. É indescritível estar ali em directo a saber em primeira mão e ouvir: The oscar goes to...
No entanto, nem sempre é possível assistir à cerimónia em directo. Este ano pude fazê-lo e por isso estive pela madrugada de segunda-feira até às 5h da manhã, de olhos e ouvidos postos na televisão a assistir a este magnífico espectáculo. Diz-me muito, pois eu já estive à porta do Kodak Theatre, em Hollywood - a fábrica de sonhos.

Quando Spielberg, o "patrão", foi ao palco entregar o Óscar da consagração a "Slumdog Millionaire", viu-se ali qualquer coisa de simbólico: a oficialização do namoro de Hollywood a Bollywood.
Foram 24 os prémios atribuídos, mas poucos foram para norte-americanos. Os quatro prémios de interpretação foram para actores de quatro nacionalidades diferentes e apenas um foi norte-americano, Sean Penn (melhor actor). Os outros foram para uma inglesa (Kate Winslet, O Leitor), uma espanhola (Penélope Cruz, Vicky Christina Barcelona) e um australiano (Heath Ledger, O Cavaleiro das Trevas).
Nas outras categorias principais, o melhor filme, Quem Quer Ser Bilionário?, é uma produção inglesa, e o seu realizador (Danny Boyle) e argumentista (Simon Beaufoy) também britânicos. O prémio da melhor banda sonora e a melhor canção foram para o indiano A. R. Rahman.


Magnífico e emocionante, Slumgod Millionaire é um filme para assistir e se emocionar por diversas e diversas vezes. Não deve ser deixado de assistir por aqueles que são amantes da sétima arte. Para o Ocidente em crise, um conto de fadas sobre a face mais sórdida da Índia é uma "fantasia" que serve de catarse. O filme "Quem quer ser Bilionário?" do britânico Danny Boyle recebeu os principais prémios nos EUA e no Reino Unido, enquanto as receitas americanas se aproximam dos 100 milhões de dólares. Mas a Índia - com a ambição de se tornar uma superpotência e com orgulho no seu crescimento - não gosta do filme que a imprensa local qualifica como "pornografia da pobreza" - num país onde 455 milhões de habitantes sobrevivem com menos de 1,25 dólares por dia.
"Quem quer ser Bilionário?" [o filme e o romance] é a história do triunfo de um herói, um Zé Ninguém dos bairros de lata que triunfa contra todas as expectativas."
O título original, "Slumdog Millionaire", não agrada os mais pobres, que não gostam de ser chamados "cães do bairro da lata".
As centenas de milhar de habitantes de Dharavi, em Bombaim, o maior bairro de lata da Ásia, onde decorreu a rodagem do filme, vê "Slumdog Millionaire" com indiferença. "Um filme é um filme. É para fazer sonhar", respondeu Raju Walla, 38 anos, junto ao abrigo onde vive com 21 pessoas. "'Quem quer ser Bilionário?' é muito diferente da realidade", afirmou.
Pois, eu que estive na Índia há 3 meses e já vi o filme, digo que retrata muito bem a vivência dos indianos pobres, é tal e qual o que pude presenciar.

17/02/09

TÂNIA - minha sobrinha

Dia de S. Valentim: Uma história de amor

Nunca na vida, a minha sobrinha pensou que falassem dela num jornal.
E, logo pelas piores razões...ou seja, uma história de amor diferente das do costume, por ela estar na situação que está, infelizmente.
Ela contou-me, há 2 meses atrás, que já tinha sido contactada pela SIC para estar presente num programa, para falar do problema de saúde dela, quando souberam que ela, com 25 anos tinha um CDI e, ela recusou.
Agora "alguém" do Jornal "Campeão das Províncias" decidiu falar sobre a história da Tânia e do Cláudio, aqui:
Secção Sociedade:
Tânia tem 26 anos e está na cama de um hospital, a lutar pela vida.
Cláudio, o namorado dela, mais ou mesmo da mesma idade, vive na esperança de a ver sorrir novamente. Não está sempre à cabeceira dela mas se pudesse provavelmente era isso que faria.
Esta história é real, é portuguesa e está a prender a atenção de todos quantos conhecem a jovem, bem como de muitas outras pessoas que passam pelo blogue dela e pelo blogue que os amigos fizeram de propósito para se manterem informados.
Quem entra no sítio da Tânia fica logo com uma ideia de que pessoa é esta que tantos amigos tem e da força que a mantém à vida, mesmo quando o seu jovem coração minado por uma doença grave dá sinais de fraqueza.
“Olá! Eu sou a Tânia, tenho 26 anos e infelizmente sofro de Miocardiopatia Dilatada... Gosto de livros, filmes, trocas com pessoas à volta do mundo (postais, selos, souvenirs, etc), artes manuais, animais, passear, etc... Estou a tirar o curso de Ciências Sociais na Uab. Sintam-se à vontade no meu cantinho!”
O convite é tentador e leva-nos ao mundo de alguém que de “pikena tonta” não tem nada, antes pelo contrário. Dá-nos a conhecer uma jovem que dá valor aos gestos, aos bons gestos, como a doação de órgãos (ela própria precisa de um coração), a solidariedade para com os mais desfavorecidos (crianças, seropositivos, animais abandonados, e por aí fora...), a partilha de conhecimentos, através da leitura (bookcrossig) e dos postais que troca com pessoas de todo o mundo, e a arte.
Tem outros dois blogues, um em que promove a venda das bijuterias que faz para ganhar algum dinheiro e outro, o chamado “baú das bugigangas” para vender, dar ou trocar objectos que tem a mais em casa mas que ainda podem ser úteis a alguém. Mostra que tem ideias e empreende-as.
A Tânia está mal, mas ninguém desiste dela. Pelo contrário. Em torno dela formou-se uma corrente de solidariedade afectiva, alimentada pelos amigos de todas as horas.
Um dos últimos textos que escreveu no blogue o namorado faz-lhe uma declaração de amor, numa composição de palavras de sublime intensidade que atira a um canto qualquer prenda oca que se possa trocar no Dia dos Namorados.
“Apesar de todas as limitações dela e viagens ao hospital nada disso me importou, ela é unica e muito preciosa, é a minha princesa e não merece nada disto... A vida tem sido demasiado cruel e injusta para alguém que nunca fez nada de mal a ninguém, sempre se preocupou mais com os outros e com os animais do que com ela! (...) Ela vai conseguir e peço que acreditem nela, já passou por tanta coisa mas continua cá, e vai ter de continuar pois eu preciso dela tal como as plantas precisam do sol. Ela é a minha luz e só eu sei o que sinto quando a tenho nos meus braços... Completas-me. Tu e eu somos um. Agora e sempre. Preciso de ti...”.
Do Cláudio para a Tânia, em pikenatonta.blogspot.com
Eu, como Tia da Tânia, reafirmo todas as palavras do Cláudio, "ela" é tal e qual ele diz, um doce de menina.
Iolanda Chaves escreveu esta história no jornal onde trabalha e eu tomei a liberdade de aqui publicar. Obrigada Iolanda.

14/02/09

Dia dos Afectos

14 - Fevereiro:
Dia em que se comemora o "Amor" entre seres humanos.
Não necessariamente entre marido e mulher, namorado e namorada, amantes, companheiros, mas acima de tudo "Aqueles" a quem amamos e gostamos.
Cada vez é mais difícil as pessoas manifestarem ao próximo o quanto gostam dele, assim, havendo um dia dedicado ao Amor, talvez se lembrem que existem pessoas importantes nas suas vidas e, às quais se esquecem de dizer:
Eu te Amo!
Eu gosto de ti!
Tive a curiosidade de saber como é comemorado este dia, pelo Mundo.
Em Espanha, é costume cortejar a amada com um presente. Além disso, o marido oferece rosas à esposa.
(Ah...pois, não estou em Espanha, por isso...rosas nem as vi...)
Na Itália, o dia dos namorados é comemorado como um Festival da Primavera, realizado ao ar livre. Os jovens reúnem-se em jardins públicos para ouvir música e ler poesia. Depois vão passear com os seus amados. Esta tradição tem vindo a desaparecer. Em Roma, este dia é conhecido como o dia do Santo da Lupercalia.
O dia de São Valentim é celebrado no Japão desde 1936. No dia 14 de Fevereiro, as mulheres têm a oportunidade de demonstrar os seus sentimentos não só aos amados como também aos filhos. Fazem-no oferecendo caixas de chocolates.

Os Estados Unidos não fogem à regra e, também, celebram o São Valentim no dia 14 de Fevereiro. Tradicionalmente, nos dias que antecedem o Dia dos Namorados, as livrarias, entre outros estabelecimentos comerciais, oferecem cartões comemorativos chamados “Valentines”. A prática foi levada pelos irlandeses e ingleses quando emigraram para os EUA no séc. XIX.
No País de Gales, os apaixonados oferecem colheres de madeira com corações gravados, chaves e fechaduras, simbolizando que só o namorado “tem a chave” do amor.
Os dinamarqueses assinalam o dia oferecendo flores prensadas, mais conhecidas como “flocos de neve”.
Na Austrália, as almofadas em cetim decoradas com motivos florais, conchas, fitas e rendas são os presentes mais tradicionais.
Na Coreia, as mulheres oferecem um rebuçado aos homens. Muitos jovens confessam, pela primeira vez, o amor à eleita do seu coração.

Durante o tempo em que pertencia ao IPF (International Pen Friends) a minha surpresa foi, quando pessoas dos Estados Unidos da América, bem como da Inglaterra e Escócia, com quem me correspondia, perto do dia dos namorados enviavam-me postais de S.Valentim manifestando que gostavam de mim e que neste dia se comemora também entre pessoas amigas, pois não existe "ainda" o "Dia da Amizade". Mentalidade de outros povos.
Desta forma, manifesto aqui o quanto gosto de todos vós, pela companhia que me têm feito ao longo de alguns anos, do apoio que me têm dado nos momentos mais difíceis. Muito obrigado por existirem. Ofereço-vos estas lindas flores.

07/02/09

Aniversário da minha Mãe

Mãe
Hoje farias 88 anos, se fosses viva!!!
Estive todo o dia contigo no pensamento e no meu coração.
Sabes, Mãe, estamos todos muito tristes
porque a "nossa menina" está mal.
Contudo a Esperança e a Fé em dias melhores
continua cá dentro dos nossos corações.
Ofereço-te como prenda de anos
um poema dedicado à Mãe,
de Eugénio de Andrade:
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos…
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
“Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal…”
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu…
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas…

Mãe, cuida da "nossa menina", por favor!!!
Hoje, durante o dia estas 2 velas estiveram acesas, uma pela alma da minha Mãe e outra pelo coração da "minha menina". Avó e neta nas minhas orações.