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14/03/09

Cinema - "O LEITOR"

O mês de Fevereiro foi rico em excelentes filmes e eu tive oportunidade de ver alguns deles. Também acompanhei a cerimónia dos óscares e para o óscar de Melhor atriz, foram nomeadas estas actrizes:
Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A Troca)
Melissa Leo (Frozen River)
Meryl Streep (Dúvida)
Kate Winslet foi a merecida vencedora do óscar, no filme "O Leitor"
A história começa com Michael Berg (Ralph Fiennes) relembrando seu passado. O jovem Berg, interpretado por David Kross, envolve-se num relacionamento com uma mulher bem mais velha, Hanna (Kate Winslet), no final da década de 1950. Depois de uma intensa e peculiar relação sentimental, sexual e de leitura, Hanna desaparece misteriosamente. Oito anos depois, Berg é estudante de Direito e acompanha um julgamento de antigas guardas da SS (a polícia secreta do nazismo), acusadas de homicídio de 300 pessoas.
Para sua surpresa, Hanna é uma das acusadas.
O filme é marcado por três actos: romance, conflito e redenção, muito bem trabalhados pelo talentoso director Stephen Daldry, de "As Horas". Muitos elementos característicos do director estão na fita, como as relações com a arte de ler, a fotografia contrastante (claro e escuro no mesmo plano) nos lugares fechados e o estudo da alma humana em suas profundidades. A história original é de um livro, mas Daldry consegue colocar suas marcas ao fazer um filme, no mínimo, inquietante.
O romance entre os protagonistas é, do ponto de vista cinematográfico, muito sincero. Uma mulher e um garoto (o actor não é menor de idade) aparecem nus, juntos na cama. Essa sinceridade causa o primeiro impacto, já que estamos acostumados a assistir àquelas cenas, repletas de hipocrisia, nas quais a relação sexual é tratada de outra forma. Destaco a cena em que Berg janta com a família e se lembra de sua aventura, memorável! Sem falar da peculiaridade relacionada à leitura de livros…
Quando o filme avança no tempo e assistimos ao julgamento de Hanna, várias questões polémicas envolvendo Ética e Direito vêm à tona. Hanna enxerga tudo em termos absolutos, é próprio de autoritarismos enxergar o mundo por uma óptica de absolutos. Ela tinha ordens de seus comandantes e tinha que cumpri-las a qualquer custo, poderia ser julgada culpada por isso?
Aliás, durante as décadas de 1930 e 1940, até o fim da Segunda Guerra, a sociedade alemã era conivente com o nazismo. O regime totalitário exercia repressão, mas não podia se sustentar sem apoio. A questão que se coloca é: poderia Hanna ser julgada por leis posteriores ao período em que trabalhou? Afinal, na sua época de "guarda", ela não cometeu crimes, mas ajudou o regime dominante. Ela só passaria a ser vista como um monstro depois de os Aliados vencerem a guerra e levaram a ideologia dos Direitos Humanos aos quatro cantos do mundo.
Conforme a história avança, as nossas opiniões vão sendo confrontadas. Hanna parece ser um monstro, mas a mulher tem outras nuances que desafiam nossa compreensão. Apesar de sua culpa, no final do filme, não poderemos negar a humanidade que existe dentro dela. E todas essas questões vêm envolvidas com o amor pela leitura e por um segredo de Hanna, crucial para algumas questões do filme.
Kate Winslet dá um show à parte, como já é característico de seus trabalhos. Sua expressão é poderosa, seus olhares são cortantes e sua presença em cena já se faz sentir lá dentro do peito. Seu trabalho é competente ao extremo.
O Leitor poderia ter facilmente caído em moralismo, mas, graças ao livro original e ao roteiro e direcção do filme, consegue contar uma história sensível e cheia de nuances. Com indicações merecidas ao Oscar de 2009, este filme entra para a lista de grandes filmes.



Imagens de excelente beleza e sensualidade da actriz vencedora do óscar

25/02/09

Óscares do Cinema

Quem me acompanha sabe que adoro cinema. Por isso, a cerimónia dos "Óscares" é sempre um momento alto na minha vida de cinéfila. Gosto de ver a cerimónia em directo, todos os outros programas de resumo sobre a mesma, para mim não tem qualquer valor. É indescritível estar ali em directo a saber em primeira mão e ouvir: The oscar goes to...
No entanto, nem sempre é possível assistir à cerimónia em directo. Este ano pude fazê-lo e por isso estive pela madrugada de segunda-feira até às 5h da manhã, de olhos e ouvidos postos na televisão a assistir a este magnífico espectáculo. Diz-me muito, pois eu já estive à porta do Kodak Theatre, em Hollywood - a fábrica de sonhos.

Quando Spielberg, o "patrão", foi ao palco entregar o Óscar da consagração a "Slumdog Millionaire", viu-se ali qualquer coisa de simbólico: a oficialização do namoro de Hollywood a Bollywood.
Foram 24 os prémios atribuídos, mas poucos foram para norte-americanos. Os quatro prémios de interpretação foram para actores de quatro nacionalidades diferentes e apenas um foi norte-americano, Sean Penn (melhor actor). Os outros foram para uma inglesa (Kate Winslet, O Leitor), uma espanhola (Penélope Cruz, Vicky Christina Barcelona) e um australiano (Heath Ledger, O Cavaleiro das Trevas).
Nas outras categorias principais, o melhor filme, Quem Quer Ser Bilionário?, é uma produção inglesa, e o seu realizador (Danny Boyle) e argumentista (Simon Beaufoy) também britânicos. O prémio da melhor banda sonora e a melhor canção foram para o indiano A. R. Rahman.


Magnífico e emocionante, Slumgod Millionaire é um filme para assistir e se emocionar por diversas e diversas vezes. Não deve ser deixado de assistir por aqueles que são amantes da sétima arte. Para o Ocidente em crise, um conto de fadas sobre a face mais sórdida da Índia é uma "fantasia" que serve de catarse. O filme "Quem quer ser Bilionário?" do britânico Danny Boyle recebeu os principais prémios nos EUA e no Reino Unido, enquanto as receitas americanas se aproximam dos 100 milhões de dólares. Mas a Índia - com a ambição de se tornar uma superpotência e com orgulho no seu crescimento - não gosta do filme que a imprensa local qualifica como "pornografia da pobreza" - num país onde 455 milhões de habitantes sobrevivem com menos de 1,25 dólares por dia.
"Quem quer ser Bilionário?" [o filme e o romance] é a história do triunfo de um herói, um Zé Ninguém dos bairros de lata que triunfa contra todas as expectativas."
O título original, "Slumdog Millionaire", não agrada os mais pobres, que não gostam de ser chamados "cães do bairro da lata".
As centenas de milhar de habitantes de Dharavi, em Bombaim, o maior bairro de lata da Ásia, onde decorreu a rodagem do filme, vê "Slumdog Millionaire" com indiferença. "Um filme é um filme. É para fazer sonhar", respondeu Raju Walla, 38 anos, junto ao abrigo onde vive com 21 pessoas. "'Quem quer ser Bilionário?' é muito diferente da realidade", afirmou.
Pois, eu que estive na Índia há 3 meses e já vi o filme, digo que retrata muito bem a vivência dos indianos pobres, é tal e qual o que pude presenciar.