Hoje farias 88 anos, se fosses viva!!!
Estive todo o dia contigo no pensamento e no meu coração.
Sabes, Mãe, estamos todos muito tristes
porque a "nossa menina" está mal.
Contudo a Esperança e a Fé em dias melhores
continua cá dentro dos nossos corações.
Ofereço-te como prenda de anos
um poema dedicado à Mãe,
de Eugénio de Andrade:
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos…
Mas tu esqueceste muita coisa!
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração rosas tão brancas
ainda aperto contra o coração rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
ainda oiço a tua voz:
“Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal…”
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu…
Eu saí da moldura,
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas…
Hoje, durante o dia estas 2 velas estiveram acesas, uma pela alma da minha Mãe e outra pelo coração da "minha menina". Avó e neta nas minhas orações.


