06/08/09

A frouxidão no amor é uma ofensa


A frouxidão no amor é uma ofensa
A frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo;
Paixão requer paixão, fervor e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.
Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.
Tu só tens gratidão, só tens brandura,
E antes que um coração pouco amoroso
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.
Talvez me enfadaria aspecto iroso,
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-me cativo e não me faz ditoso.

(Manuel Maria Barbosa du Bocage)
Andando pela net, descobri este poema de Manuel Maria Barbosa du Bocage e, como estou completamente de acordo com a afirmação: "A frouxidão no amor é uma ofensa" decidi oferecer a todos que me visitam, neste quente mês de Agosto, com votos de boas férias para os veraneantes da blogosfera. Eu cá continuo firme no meu local de trabalho, esperando por férias, lá para Setembro.

19 comentários:

Lago Mudo disse...

Obrigado por me dares a conhecer este poema de um poeta de que tanto gosto. Desejos de férias apaixonantes!

gaivota disse...

bocage era bocage...
simplesmente, lindo!
beijinhos

O Guardião disse...

Simplesmente Bocage...
Cumps

Eärwen Tulcakelumë disse...

Obrigado pela partilha, gostei muito.
Deixo uma pérola incandescente de carinho amigo desejando um final ótimo fim de semana.

Eärwen

Ailime disse...

Grata pelo poema.
Hoje vou discordar um pouco da frase que assinala!
O amor também é uma conquista! Temos que lutar por ele e se estiver um pouco mais "frouxo", vamos repensá-lo.
Desistir nunca!
Um beijinho e votos de um bom Domingo.

Eduardo Aleixo disse...

Tulipa

Só posso responder depois de satisfeita a minha pretensão constante na resposta ao teu comentário no meu blogue. Bj

Eduardo Aleixo disse...

Se por frouxião se entender que já não há paixão, mas sim, amor mais calmo, mas amor, suficiente para vencer os obstáculos, não vejo onde está a a ofensa.
Se por frouxidão se entender pouco amor, fraco amor, nada arrebatador, pouco resistente aos obstáculos, não vejo também one está a ofensa: é apenas amor insuficiente.
Acho que frouxião no amor nunca será ofensa, mas sim motivo de tristeza para o outro que espera mais do que frouxidão.
Froxidão causará tristeza e frustração, mas ofensa não estou a ver.
Beijinho, querida amiga.

Rosa dos Ventos disse...

" O Poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."

Respondi? :-))

Abraço

Isabel-F. disse...

não conhecia este poema de Bocage ...

é lindo ...

espero que esteja tudo bem contigo ...


beijinhos

Carlos Albuquerque disse...

Por engano coloquei o comentário no post a seguir. Peço desculpa. Reproduzo-o aqui:
Este blogue, a que cheguei agora, é uma ternura. Compreendo a expressão de Bocage. Ele não se limitou a passar pela vida, viveu-a!
No meu blogue também um dia chamei Bocage. Está aqui: http://conversasdaquiedali.blogspot.com/search/label/Bocage
Vou colocar, no meu, um link para o seu, e juntar-me aos seus segudiodores. Antes, porém, vou dar mais uma volta por aqui.
Um abraço.

Filoxera disse...

Estamos sintonizadas, de facto.
Um beijo grande.

Je Vois la Vie en Vert disse...

Obrigada pela partilha !

Concordo com as palavras do Eduardo Aleixo.

Folgo em saber que estás a trabalhar, porque quer dizer que já estás boa !

Beijinhos

Verdinha

pin gente disse...

e ele afinal continua a ser bocage.

que peso dará à palavra ofensa?
se o frouxo se fizer lentidão!
se o frouxo se fizer calmaria!
se o frouxo se fizer modesta prosa ou poesia!
porque não apostar na melancolia
de ter amor em câmara lenta?


beijo, tulipa

looking4good disse...

Sem dúvida... grande Bocage! Uma boa semana :)

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Tulipa, belo poema...Espectacular....
Beijo

Quase nos 50 disse...

Também concordo com a afirmação do Bocage....eu diria até mais: não só é uma ofensa para o outro como revela uma grande cobardia.
E como tive uma experiência bem marcante com uma pessoa emocionalmente cobarde e frouxa , compreendo bem demais o que o poeta quis dizer.
Um abraço

peciscas disse...

Não se pode deixar de estar de acordo com o Manuel Maria.

Aguenta, como puderes, esta caloraça, trabalhando, e que Setembro chegue depressa...

gaivota disse...

passei para te deixar um beijinho de bom fim de semana!
está muito calor........
fica bem
beijinhos

Sofá Amarelo disse...

Acho que Bocage foi o antecessor de Fernando Pessoa... o tempo me dará razão...

Muitos beijinhos!!!