31/12/10

ABRIL - MAIO E JUNHO 2010




ABRIL:
1 - Chegou a Primavera e apetece sair da toca e ver coisas lindas; há algum tempo que programava uma ida ao Centro Cultural de Belém e, desta vez conjuguei a vontade de ir com uma companhia muito agradável e assim se concretizou uma visita inesquecível.Uma amiga da blogosfera que começou por ser apenas virtual e depois passou a bem real na minha vida. Abençoada hora que decidimos nos conhecer melhor e aceitar sermos amigas e partilharmos momentos especiais.
O programa também era bastante apelativo, não se pode perder uma exposição desta envergadura da fabulosa obra de Joana Vasconcelos, bem como outras exposições que pertencem ao "Museu Berardo" e que são completamente gratuitas - digna de louvar esta atitude de alguém que quer fazer mais pela Cultura deste país.
Joana Vasconcelos - Sem Rede [ 1 Março 18 Maio ]
2 - Nem tudo pode ser bom e este mês vi...voar um sonho, que não se tornou realidade: a minha viagem à IRLANDA - DUBLIN, fiquei em terra. A erupção de um vulcão a 14 de Abril no Sul da Islândia provocou um caos sem precedentes em diversos aeroportos europeus, que estiveram encerrados durante vários dias.
3 - Dia 19 foi o dia do meu aniversário!

MAIO:
1 - Outro passeio com uma amiga levou-me até SINTRA e fui descobrir o MUSEU DO BONSAI - Um pequeno jardim encantador, cheio de várias espécies de Bonsais, de vários tamanhos e preços (variam entre os 29,50€ e os 34.000€ - preços que vi).
Adorei todo o ambiente zen, a música de fundo, o som da água numa fonte que faz parte do jardim japonês que existe dentro da loja, algo de grande beleza natural.
2 - Outro passeio levou-me no fim de Maio até à Quinta dos Loridos, no Bombarral. Esta quinta foi transformada num jardim oriental fora do Oriente, onde foram colocadas trezentas estátuas de arte budista pelo coleccionador Joe Berardo.
Desde que fui ao CCB e vi, o que este Homem colocou ao alcance de todos, sem pagar seja o que for, acreditei que não se pagaria para visitar este enorme Jardim e estava certa, apenas quem quiser fazer a visita de combóio turístico tem que pagar 3 euros, foi o que fiz.
O Jardim da Paz encontra-se situado nos terrenos luxuriosos da Quinta dos Loridos, localizada no Bombarral, apenas a alguns quilometros a sul de Óbidos. Este espaço verde com o seu lago central é um local de paz e tranquilidade, dá para relaxar na relva circundante ao lago. (imagem minha acima-uma das estátuas)

JUNHO:
1 - Tudo começou assim:Uma amiga avisou-me da abertura do concurso - JORNAL “O CORREIO DA LINHA” - IV CONCURSO DE FOTOGRAFIA “AMBIENTE DÁ VIDA” - XXI ANIVERSÁRIO
A 12 de Junho foi o culminar da minha participação, com a presença na Sessão Solene na companhia da minha Amiga Dina, a ela agradeço-lhe do fundo do coração o ter estado presente num momento muito importante para mim. Foi criado um livro sobre o referido concurso e lá está a foto que o júri escolheu, entre as 3 fotos com que participei.
2 - Concretizei outro sonho que tinha, visitar a Suíça e sua capital Zurique - uma das cidades com melhor qualidade de vida do mundo, um sadio centro financeiro com vista para um lago romântico, no país dos relógios, do chocolate, do queijo e da Heidi. A 21/Junho/2010, Dia do Solstício de Verão, eu estava em LUCERNA. (foto minha com os típicos relógios de cuco na Suíça)
3 - Como não podia deixar de ser, continuo a ir ao cinema ver bons filmes. Foi o que aconteceu em finais de Junho: O filme retrata a história verídica da super-modelo Waris Dirie (Liya Kebede). Nascida na Somália em 1965, no seio de uma tribo de pastores nómadas foi, aos 13 anos de idade, vendida pela família para casar com um homem de 60. Nessa mesma altura foge e, percorrendo sozinha o deserto somali durante vários dias, chega a Mogadíscio onde uns parentes a acolhem e a enviam para Londres. Já em Inglaterra, foi empregada de mesa até ao dia em que foi descoberta pelo fotógrafo Terry Donaldson (Timothy Spall).No auge de sua carreira como modelo, em 1997, Waris Dirie chocou o mundo revelando que quando tinha apenas três anos de idade ela mesma foi circuncidada de forma brutal e que ainda sofria com as consequências dessa mutilação. A modelo escreveu livros contando sua experiencia e tornou-se uma das principais defensoras da luta pela erradicação dessa prática.

28/12/10

RETROSPECTIVA MARÇO 2010




Em MARÇO comemora-se o DIA MUNDIAL DA POESIA - 21 DE MARÇO

Aconteceu que, nas promessas para inovações nos meus blogues, em 2010 ia criar um tema: UM POEMA / UMA FOTO / POR SEMANA - tinha a finalidade de associar uma das minhas centenas de fotos a algum poema que eu achasse apropriado, e por semana faria um post. Confesso que não segui à risca esta minha promessa. Hoje trago-vos um poema de Cora Coralina associado a uma foto minha. Espero que gostem.

Das Pedras

Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.

Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.

Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.

Cora Coralina

Também em MARÇO aconteceu o projecto "LIMPAR PORTUGAL". Fui convidada a participar fotografando um grupo de voluntários do Montijo. Na 1ª imagem é isso que se vê: a colaboração de todos na limpeza de alguns espaços.
No grupo que acompanhei havia cidadãos de várias faixas etárias e de diferentes raças, armados de luvas, ancinhos, pás, boa vontade e sacos cheios de lixo para contribuir dando uma parte do seu dia de descanso, tal como eu também fiz, (e se gosto de dormir mais umas horinhas ao sábado…) mas, tem que começar por alguém e dando o exemplo aos que… nada fazem pelo futuro do ambiente…
Quem diz: “O civismo e as autoridades que cuidem do futuro” são pessoas que, sinto-lhes na voz uma pitada de culpa, pois gostam de também vazar lixo onde não devem…são pobres de espírito.
"As pessoas acham que, se pagam impostos, alguém há-de limpar, mas o civismo não vai lá com impostos"…
Tenho nos meus princípios a bela experiência de ter sido escuteira e, embora a saúde já não me ajude como nos tempos da minha mocidade, contribui de outra forma, mas estive “no terreno”.
Luís Filipe Borges, humorista; O programa 5 para a Meia-noite, onde Luís Filipe Borges participa, também aderiu. Ele diz que vai andar a recolher o lixo na zona de Lisboa. "Nem que seja um bocadinho, vou contribuir", assegura. "Uma das melhores coisas da nossa geração é uma consciência ambiental mais forte", diz, defendendo que "algo tem que ser feito" pelo ambiente e os mais jovens sabem isso. (notícia do Público)
Tão bonitinho...tanta gente a limpar o lixo que meia dúzia faz!
Depois vêm com lições de moral para mim quando digo que viajo para fora do país, dizem-me sempre: primeiro deves conhecer o “nosso Portugal”, depois vai para fora…Pois é!!! Essas são as pessoas que gostam de viver como a avestruz, de cabeça escondida para não enfrentar o resto.
Mas o Mundo, lá fora de Portugal, tem-me mostrado como outros povos sabem respeitar o próximo, sabem viver em sociedade, sabem conservar os lugares onde vivem e seus arredores. Tenho aprendido bastante lá fora com os exemplos dos meus amigos, na Finlândia, p.e.
Fico triste só de pensar que corro o risco de pertencer a um povo que não consegue aprender o mais básico...Ser limpo e arrumado!
Como pode um país crescer com esta mentalidade...estar sempre à espera que alguém nos diga o que fazer. Foi de louvar a atitude desta campanha!

Também em Março, fez 1 ano que a minha sobrinha partiu - momento muito triste!

27/12/10

RETROSPECTIVA - FEVEREIRO 2010





Os balanços são quase sempre difíceis de fazer! :-))
No entanto, há meses melhores que outros. Neste momento vou-me lembrando dos acontecimentos positivos; logo no início de Fevereiro fui passar o fim de semana a PENICHE, em família, com os meus netos e foi óptimo.
Além de várias fotos que fiz, sobre o meu “namoro com o mar”, hoje apresento uma foto do farol do CABO CARVOEIRO, em PENICHE.
Tenho uma paixão por faróis.

O FAROL DO CABO CARVOEIRO faz parte do grupo de seis faróis mandados edificar pelo Alvará pombalino de 1 de Fevereiro de 1758 que criou o Serviço de Faróis em Portugal.
Entrou em funcionamento em 1790, sendo um dos mais antigos da costa portuguesa.
Noutra foto podem ver a NAU DOS CORVOS, Cabo Carvoeiro, Peniche.
Peniche fica cerca de 80 km a norte de Lisboa. No passado, foi uma ilha, mas a acção conjunta de ventos e marés acabou por a ligar ao resto do continente. Hoje, como aconteceu ao longo da sua história, Peniche continua a conviver com o mar.

O outro tema que recordo de FEVEREIRO/2010 é um tema ligado à FOTOGRAFIA.
Quem me conhece e acompanha há algum tempo, sabe que não viro as costas a "desafios" e a momentos de aventura, por isso, decidi participar em mais um "Momento Perfeito" na minha vida, ligado à fotografia.
O Turismo de Portugal promoveu um passatempo em que pretendia premiar as 13 melhores fotografias do país, uma por cada destino Regional – Norte, Douro Centro, Serra da Estrela, Lisboa e Vale do Tejo, Leiria-Fátima, Oeste, Alentejo, Alqueva, Litoral Alentejano, Algarve e Açores e Madeira.
Para concorrer bastava publicar a foto no Flickr (www.flickr.com) e referenciá-la com btl_portugal2010, eu participei com 30 fotos.

26/12/10

RETROSPECTIVA - BALANÇO DE 2010




BALANÇO DE 2010
Com o ano a chegar ao fim, a hora é de fazer o balanço.
Se quiser partilhe comigo o que foi melhor e pior em 2010, os acontecimentos também mais significativos do ano. PARTICIPE!
O que lhe peço é simples.
No seu comentário diga que "MOMENTOS" tem para recordar de 2010, que acontecimentos foram mais marcantes na sua vida.
O ano é longo, daí que vou fazer em vários posts.
Em Janeiro de 2010 tive a 5ª EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL DAS MINHAS FOTOGRAFIAS DA ÍNDIA. Andei entusiasmada na sua preparação.
A inauguração da exposição no dia 19/Janeiro/2010 foi um verdadeiro sucesso.
Podem ver outra opinião neste blog, em Janeiro/2010:
http://omeusofaamarelo.blogspot.com/
É um grande Amigo dos blogues que foi lá fotografar...além de marcar presença num momento tão especial da minha vida. Também a Ana do blog "Encosta do Mar" esteve presente. Aos dois ficar-lhes-ei grata por toda a vida.
Encerrou no sábado - dia 30 de Janeiro.
Finalmente consegui fazer aquilo que já idealizava há algum tempo, que era criar um ambiente completamente zen, estilo indiano.
Além dos quadros com as fotos, havia os cheiros - incenso a queimar; os sabores - chamuças para petiscar; os sons - música indiana de fundo; a possibilidade de poder ver um trabalho em power-point com 180 imagens do quotidiano na Índia. Tudo isto foi uma autêntica inovação, incluindo 3 saris de 5 metros de comprimento caindo do alto a decorar o espaço.
Enfim...estava um ambiente espectacular. Recebi muitos elogios.

19/12/10

FILME: IMPARÁVEL





Outra 6ª feira e mais uma sessão de cinema.
Há algum tempo que tinha na ideia ver este filme, só que a crítica era demasiado negativa e fez-me pensar duas vezes. No entanto o bichinho estava cá dentro, pois filme com Denzel Washington raramente perco.
A crítica dizia: …”Tudo na premissa grita filme de acção descartável empolado até à quinta casa em termos de orçamento e efeitos perfeito para desperdiçar uma tarde de fim-de-semana, "thriller" funcional à medida de vedeta em velocidade de cruzeiro”...
Mesmo assim decidi ir e gostei, um filme cheio de acção e com o excelente desempenho de Denzel Washington, como já estou habituada.
Também gosto imenso de ver filmes baseados em factos verídicos, e este é.
Denzel já referiu várias vezes que não entra em qualquer filme, é ele que escolhe em quais quer ser protagonista ou não, e é por isso que tem tanto sucesso.
Denzel sempre foi assim: Exigente! Adjectivo este ao qual dou muito valor!

Frank (Denzel Washington) é um engenheiro veterano de uma companhia ferroviária que, depois de 28 anos em serviço, está a pouco tempo de ser dispensado.
Will (Chris Pine) é um maquinista recém-contratado, pouco motivado com o trabalho mas com noção do seu dever. Dois homens que, apesar de estarem em momentos opostos das suas vidas, terão os seus destinos cruzados quando um comboio de carga cheio de combustível e gás venenoso se dirige, desgovernado, a uma cidade de 100 mil habitantes, vaporizando tudo pelo caminho. Os dois terão assim de pôr de lado as suas diferenças e, em contra-relógio, arriscar tudo para evitar a catástrofe.
Com realização de Tony Scott ("Homem em Fúria", "Assalto ao Metro 1 2 3") e argumento de Mark Bomback, é baseado em factos verídicos ocorridos em 2001, no Ohio, EUA.
“Unstoppable” é o novo thriller de Denzel Washington. O filme conta ainda com Chris Pine (Star Trek) e Rosario Dawson nos principais papéis.
«IMPARÁVEL» é o quinto filme que Denzel Washington protagoniza às ordens do realizador britânico Tony Scott, seguindo-se a «Maré Vermelha», «Homem em Fúria», «Déjà Vu» e «Assalto ao Metro 123». A ele juntam-se no elenco Chris Pine, Rosario Dawson e Kevin Dunn.

13/12/10

OVELHAS DE PRESÉPIO - CONCURSO DE NATAL




Ao visitar o meu amigo Carlos, do blog "Crónicas do Rochedo" apercebi-me desta notícia:
Este concurso, que há cinco anos consecutivos anima a blogosfera em época natalícia, é uma excelente e divertida iniciativa do sr. Luís. Até dia 15 ainda podem participar. Dêem asas à vossa criatividade e enviem as vossas propostas.

Como o próprio nome indica "Ovelhas de Presépio" no plural, aqui deixo a minha singela participação. Estas ovelhas até parece que fizeram pose para a foto, todas a olharem em direcção à objectiva.
E, como tem feito muito frio, o "Menino Jesus" nas palhinhas deitado, até vai agradecer, se em vez de uma forem várias as ovelhas a dar-lhe o calorzinho que tão bem sabe.
Este concurso é organizado pelo blog "A Barbearia do Senhor Luís".
Segue o REGULAMENTO:
Regulamento
Até ao próximo dia 15 de Dezembro está a decorrer o concurso de Natal de a Barbearia do senhor Luís.
Este ano o tema é Ovelhas de Presépio e as regras (que poderão vir a ser alteradas sem aviso prévio) são as seguintes:
1. Poderão concorrer todas as Ovelhas de Presépio desde que sejam publicadas em qualquer Blog e comunicada a sua publicação para o endereço electrónico oficial da Barbearia, ou deixada indicação numa das caixas de comentários;
2. Poderão igualmente concorrer as Ovelhas de Presépio de comentadores sem Blog desde que os concorrentes sejam identificáveis pelo magnífico júri (por exemplo no Facebook). Neste caso, as imagens das Ovelhas de Presépio concorrentes deverão ser enviadas para o júri através do endereço electrónico oficial da Barbearia;
3. O júri é composto pelo staff deste estabelecimento. Entre outras prepotências exclusivas, compete-lhe admitir concorrentes e respectivas Ovelhas de Presépio, pontuá-las e divulgá-las;
4. Das decisões do júri não existe qualquer recurso;
5. As imagens deverão ser livres de ónus e isentas de direitos;
6. A entrada em concurso pressupõe autorização para reprodução das imagens no Blog a Barbearia do senhor Luís e na rede social Facebook que abrirá um álbum para o efeito, com as dimensões julgadas pertinentes pelo júri;
7. Cada concorrente só poderá ir a concurso com uma Ovelha de Presépio
BOA SORTE A TODOS OS PARTICIPANTES.

11/12/10

MANOEL DE OLIVEIRA - ANIVERSÁRIO



MUITOS PARABÉNS MANOEL DE OLIVEIRA.
Fui buscar esta imagem à net.
Gosto particularmente dela porque é a preto e branco e porque nos mostra um Manoel de Oliveira pensativo.
Este sábado, dia 11 de Dezembro de 2010, o realizador português, ainda no ativo, Manoel de Oliveira completa 102 anos de idade.
O realizador, que apresentou esta semana em Serralves a sua mais recente curta-metragem "Painéis de São Vicente de Fora, visão poética", vai passar o aniversário na companhia da família, no Porto, a descansar.
Manoel de Oliveira passará um dia "recatado", com um jantar em família e com filhos, netos e bisnetos a celebrarem a longevidade do mais velho realizador do mundo ainda a trabalhar.
No domingo, Manoel de Oliveira já irá estar em Santa Maria da Feira a convite do Festival de Cinema Luso-Brasileiro, que o homenageia, para apresentar o mais recente filme que rodou, "O estranho caso de Angélica".
Sobre este último filme foi escrito no jornal norte-americano New York Times que é "um presente de um realizador que, aos 101 anos,é quase tão antigo como o próprio cinema".
Sempre com o espírito aberto, Manoel de Oliveira disse ainda esta semana aos jornalistas que espera ainda irá realizar muitos filmes e projetos antes de "passar desta para a outra". "Tenho vários projetos que têm de ser feitos. Uma ideia que gostava de filmar é o quadro "A ronda da noite" que é [também] o último livro de Agustina Bessa Luís", afirmou.

Realizador mais velho do mundo em actividade, autor de trinta e duas longas-metragens, Manoel de Oliveira provém de uma família da alta burguesia nortenha, tendo antepassados fidalgos. Ainda jovem foi para A Guarda, na Galiza, onde frequentou um colégio de jesuítas. Admite ter sido sempre mau aluno. Dedicou-se ao atletismo, tendo sido campeão nacional de salto à vara, e atleta do Sport Club do Porto, um clube de elite. Ainda antes dos filmes veio o automobilismo e a vida boémia. Eram habituais as tertúlias no Café Diana, na Póvoa do Varzim, com os amigos José Régio, Agustina Bessa-Luís, e outros.

Manoel de Oliveira insiste em dizer que só cria filmes pelo gozo de os fazer, independente da reacção dos críticos.
Apesar dos múltiplos condecorações em alguns dos festivais mais prestigiados do mundo, tais como o Festival de Cannes, Festival de Veneza ou o Festival de Montreal, leva uma vida retirada e longe das luzes da ribalta. Durante o Festival de Cannes em 2008, foi congratulado e felicitado pessoalmente pelo actor norte-americano Clint Eastwood.
Os seus actores preferidos, com quem mantém uma colaboração regular são Luís Miguel Cintra, Leonor Silveira, Diogo Dória, Rogério Samora, Miguel Guilherme, Isabel Ruth e, mais recentemente, o seu neto, Ricardo Trepa. Não são também alheias as participações de actores estrangeiros, como Catherine Deneuve, Marcello Mastroianni, John Malkovich, Michel Piccoli, Irene Papas, Chiara Mastroianni, Lima Duarte ou Marisa Paredes.

ENTREVISTA A ABBAS KIAROSTAMI



Como já escrevi no post anterior, ontem foi dia de cinema e, por norma vou sempre aos cinemas do El Corte Inglês, porque só tenho que atravessar a rua...
Mas, para ver a Juliette Binoche, eu vou onde for preciso e desta vez tive que ir de metro até ao Saldanha, diga-se de passagem que é uma confusão andar por aqueles labirintos subterrâneos na estação do Saldanha; e fui ao MONUMENTAL, pois era aí que estava o filme que eu queria ver.
Desde que tinham feito as obras neste centro comercial, já lá vão quase 2 anos, eu nunca mais lá tinha ido e fiquei agradavelmente surpreendida, pela positiva, com as melhorias que verifiquei. Está um espaço muito simpático e acolhedor, moderno q.b.
O que mais me impressionou foi no espaço dedicado à música para relaxar, encontrei um piano que tocava sozinho...FANTÁSTICO!!!Ali fiquei, olhos postos nas teclas que sozinhas iam-se movendo conforme o som, ainda reparei que o piano tinha 3 pedais e eles também mexiam, bem...foi o máximo.
Se não fosse as horas voarem, tinha ficado ali, sentada a ver e ouvir aquele espectáculo. Que maravilha!!!

Voltando ao filme, a actiz Juliette Binoche falou em 3 idiomas todos correctamente: francês, italiano e inglês.

Junto uma entrevista feita ao realizador ABBAS KIAROSTAMI:

Para o seu novo filme, Cópia Certificada/Copie Conforme, o cineasta iraniano Abbas Kiarostami deslocou-se a Itália, à Toscânia. Nas suas deslumbrantes paisagens, ele encena o encontro de uma francesa (Juliette Binoche), proprietária de uma galeria, e um inglês (William Shimell), escritor a promover o seu livro mais recente: é um diálogo marcado pelas diferenças e cumplicidades das relações humanas.
Esta é a conclusão de uma conversa, registada no último Festival do Estoril, que serviu de base a uma entrevista publicada no Diário de Notícias (18 de Novembro).

Pensando no seu filme Shirin (sobre uma plateia de mulheres que assistem a um filme), será que esse ritual tem, sobretudo, uma dimensão feminina?
Sim, existe uma comunidade das mulheres que é diferente e nem sequer sinto necessidade de justificar a resposta. Não tenho nenhuma prova nem nenhum manifesto a apresentar. É aí que reside toda a beleza e complexidade da nossa existência.

Como foi o trabalho com Juliette Binoche? Houve margem para alguma improvisação?
Creio que há duas dimensões desse trabalho: uma escrita, outra espontânea. Na verdade, sinto-me ainda demasiado próximo do filme, preciso de mais tempo para avaliar tudo isso. Em todo o caso, se o filme tem algum valor e interesse, creio que decorre da proximidade que existe entre Juliette, enquanto mulher, e a sua personagem.

Esse tempo de que precisa leva-o, por vezes, a descobrir aspectos dos seus filmes que, afinal, desconhecia?
Não diria descobrir, mas é, de facto, possível ter um olhar de natureza diferente. Digamos que, face a Cópia Certificada, tenho ainda um olhar de técnico, não consigo ter o espírito virgem do espectador. Pergunto-me se o filme está bem feito ou não, se tem a boa duração, como funcionam as cenas, se devia ter posto música ou não...

Em vários dos seus filmes, há personagens de cineastas: podemos deduzir que são personagens com alguma dimensão autobiográfica?
Se há tantos cineastas nos meus filmes, isso quer dizer que me faltou imaginação para transformar essas personagens observadoras em marceneiros ou escritores. Por isso, devo também dizer que todos os filmes que fiz são inspirados em situações que eu próprio testemunhei.

E em quase todos os filmes, há cenas de personagens a conversar em automóveis em movimento...
Gosto muito do espaço fechado de um automóvel porque envolve uma intimidade que, de alguma maneira, nos é imposta. Além disso, agrada-me que essa intimidade seja vivida em movimento. Não é preciso “parar” o tempo, como quando falamos numa sala: é como se nos deslocássemos paralelamente ao tempo e à vida... Já respondi muitas vezes a essa questão, mas só agora me apercebi de outro aspecto: é o valor do silêncio no interior do automóvel. Numa conversa como esta, um momento de silêncio pode ser embaraçoso: olhamos para o relógio e dizemos que é preciso ir embora. Dentro de um automóvel, é como se o silêncio fosse legítimo: a cada interrupção, cada um olha a paisagem e, um pouco mais tarde, o diálogo pode ser retomado de forma natural.

Talvez possamos, um dia, gravar uma entrevista num automóvel.
É sempre melhor! No Irão, com os meus alunos isso acontece-me muitas vezes. Por vezes, não tenho tempo para falar com eles. Como sei que todos os dias, devido ao trânsito em Teerão, sou obrigado a fazer uma hora de automóvel, digo para aparecerem em minha casa e fazermos o trajecto juntos. Os alunos ficam sempre encantados e dizem-me mesmo que essas conversas são mais produtivas que as aulas.

CÓPIA CERTIFICADA - CINEMA




Ontem foi dia de cinema.
SINOPSE: Esta é a história de encontro entre um homem e uma mulher, numa pequena aldeia no Sul da Toscana. O homem é um autor britânico que acabou de fazer uma apresentação do seu livro. A mulher, francesa, é dona de uma galeria de arte. Esta é uma história comum que podia acontecer a qualquer pessoa, em qualquer lugar.

O realizador iraniano Abbas Kiarostami decidiu filmar pela primeira vez fora do Irão, para a longa-metragem «Copie Conforme», e percebeu que a arte «não está limitada a uma geografia».

«Copie Conforme» é o mais recente filme do cineasta iraniano Abbas Kiarostami e valeu à sua protagonista, JULIETTE BINOCHE, o troféu de Melhor Actriz no último Festival de Cannes.
O filme que o cineasta apresentou no Estoril Film Festival é a história de um encontro entre um homem e uma mulher numa pequena localidade italiana no sul da Toscânia. O homem é um escritor britânico que acaba de dar uma palestra numa conferência. A mulher, francesa, é proprietária de uma galeria de arte.
O filme foi apresentado no ESTORIL, no Centro de Congressos, com a PRESENÇA DO REALIZADOR.
Ele (o barítono William Shimell) é um escritor inglês em busca de um significado para a vida. Ela (Juliette Binoche) é uma galerista francesa em busca de originalidade. Quando, depois de uma conferência dele, se conhecem, decidem passear por uma pequena cidade no sul da Toscana, onde embarcam num jogo: durante todo aquele dia vão fingir ser um casal. Contudo, a forma como inventam essa relação é de tal modo convincente que acabam por se tornar um, criando assim a sua própria história de amor.
O último filme do realizador iraniano Abbas Kiarostami ("O Sabor da Cereja ", "Através das Oliveiras" "O Vento Levar-nos-á", "Shirin") esteve em competição na última edição do Festival de Cannes, valendo a Juliette Binoche o prémio de melhor actriz.

03/12/10

HOMEM SOLITÁRIO (Filme)





Tal como escrevi no post anterior vi este menino de ouro, dos novos actores de cinema, num outro filme, em que contracenou com Michael Douglas - Homem Solitário.

JESSE EISENBERG - ACTOR MODA 2010





Este actor está na moda em 2010. Já o vi em alguns filmes e vi a apresentação de outros: Adam Jesse Eisenberg, mais conhecido como Jesse Eisenberg (Nova York, 5 de Outubro de 1983), é um actor norte-americano.
Filho de uma palhaça de circo e um professor universitário, Jesse desempenhou papéis notáveis com em Adventureland, The Squid and the Whale e Zombieland.
Sua irmã, Hallie Kate Eisenberg, também é actriz
Aos 27 anos, Jesse Eisenberg conseguiu chegar ao estrelato fazendo papéis dramáticos em pequenas pérolas como A Lula e a Baleia e garotos tão inteligentes quanto suaves como os de Adventureland e Zumbilândia.
Mas a recriação de Mark Zuckerberg é sua obra-prima.
O ator consegue reproduzir na tela o ritmo alucinado do roteiro de Aaron Sorkin sem deixar de revelar o lado triste, solitário e angustiado do site de relacionamento social Facebook.
O homem que pode ter 500 milhões de amigos virtuais não tem a menor ideia de como se relacionar com seres humanos à sua volta. Não por acaso Eisenberg é mencionado em todas as listas dos especialistas como provável indicado ao Oscar. Confira abaixo uma entrevista exclusiva com o ator.

Qual a sua impressão, agora que o filme já está pronto, sobre Eduardo Saverin, o brasileiro que teria sido um dos criadores do Facebook?
Eu passei cinco meses filmando. Cinco meses defendendo a posição do meu personagem (risos). No filme, Mark perdeu um grande amigo e A Rede Social é uma dramatização da criação de uma rede de relacionamentos que conquista o mundo ao mesmo tempo em que impossibilita a amizade de dois de seus criadores.
Eu sinto uma afeição muito grande pelo Eduardo, é difícil falar sobre a parte jurídica do conflito dos dois, porque não entendo muito disso, mas foi impossível, especialmente pela maneira como Andrew (Garfield) escolheu fazer o Eduardo, não sentir uma grande simpatia por ele. Agora, me diz, você já sabia da história Eduardo antes de ver o filme?
Sim, no Brasil ele é conhecido como "o brasileiro que foi trapaceado pelo Zucjerberg".
Engraçado. Faz sentido.
É mais difícil para um ator viver no cinema um personagem que existe de carne e osso, como o Mark?
O processo é um pouco diferente. Pesquiso muito para fazer meus personagens, leio tudo o que posso, com o objetivo de criar um ser completo. No caso de Rede Social vi vídeos e fotos de Mark, entrevistas que ele deu, perfis escritos sobre ele.
Guardei tudo em meu iPod e todos os dias, antes de ir para as filmagens, ouvia e via um pouco daquele material, o que me ajudou muito. Mas a fonte primordial foi o roteiro, que é fenomenal. O Aaron (Sorkin) criou um personagem incrível e complicado.
E o trabalho com David Fincher, há algo específico sobre o estilo do diretor de O Clube da Luta?
Ele é específico em cada detalhe, cada momento. Originalíssimo. Ele pensa cada quadro do filme. Nos momentos em que não estava em cena, fiz questão de ficar sentado perto dele para observar ele trabalhando. Certa vez ele repetiu 60 vezes o movimento de um ator com uma caneta. Parece preciosismo, mas não é, é a busca do efeito exato, da perfeição.
Você teve algum receio de protagonizar um filme tão emblemático quanto A Rede Social?
Só consigo pensar sobre o meu personagem, não o tamanho do filme, isso é para os editores, diretores e roteiristas decidirem.
Para mim todo o excitamento foi o de poder criar este personagem que, por um lado, criou o site de relacionamento social mais importante do planeta e por outro, um ser passivo e isolado. Um personagem absolutamente fascinante.
O que acontece com Zuckerberg é muito mais interessante do que simplesmente a história do Facebook.

28/11/10

A REDE SOCIAL - FILME




Fui ver este filme um pouco ao engano; imaginava que seria um filme baseado na actualidade do FACEBOOK, mas...nada disso.

O filme de David Fincher não é tanto um filme moderno sobre o Facebook como um filme clássico sobre o poder.
Independentemente de tudo o que possam ter lido, ouvido ou mesmo antecipado sobre "A Rede Social", este não é um filme sobre o Facebook.
Nem sobre a internet, sobre a tecnologia, sobre o modo como ela nos mudou a vida (mesmo que isso esteja lá, nas entrelinhas).
"A Rede Social" é um filme sobre um assunto muito menos tópico e muito mais clássico do que parece: o poder e a ambição - e nesse aspecto tanto podia ser sobre o Facebook como sobre o Google, a Starbucks ou o BCP. Nesse aspecto, aliás, é também um filme que remete para uma Hollywood clássica que já não faz filmes sobre as lutas do poder corporativo há uns largos anitos por não serem suficientemente emocionantes para a audiência de adolescentes que a mantém viva.
"A Rede Social" é, paradoxalmente, um filme sobre a adolescência. Ou, melhor, sobre o modo como a transportamos connosco para a idade adulta, e como ela fica menos para trás do que qualquer um de nós acha à partida. No guião do dramaturgo e argumentista Aaron Sorkin ("Uma Questão de Honra", "Os Homens do Presidente"), inspirado no controverso livro de Ben Mezrich, o Facebook é um mero arquétipo, usado para desmontar a singularidade da empresa - apresentada como uma mera extensão da necessidade de validação social que todos temos - e para revelar a sua universalidade - reproduzindo os lugares-comuns clássicos das lutas pelo poder desde tempos imemoriais.
Mark Zuckerberg (espantosa criação de Jesse Eisenberg) pode ser o mais jovem milionário do mundo, mas como disse (e bem) David Fincher ao "Le Monde", ser-se milionário aos dezanove anos não é pêra doce.
E é numa das melhores frases de um guião notável que se deve encontrar a chave de "A Rede Social": "todos os mitos de criação precisam de um demónio".
É por isso que não há computadores nem virtualidades naquele que é o menos virtual e mais real filme de Fincher até ao momento: este não é um filme sobre um site internet nem sobre o modo como ele mudou o mundo, é um filme sobre pessoas e sobre o modo como as relações virtuais não substituem as relações verdadeiras do mundo real. É também por isso que não vale a pena procurar aqui um qualquer relato fiel e fidedigno da "verdade" do Facebook (e, para que conste, ninguém se sai a rir deste retrato - nem Zuckerberg, nem o sócio fundador Eduardo Saverin, nem os gémeos Winklevoss que terão dado a ideia original a Zuckerberg, não há santos nem pecadores). Não era isso que interessava nem a Sorkin nem a Fincher.
A verdadeira rede social não está online, e é essa a chave do guião (que deve aliás bater um qualquer recorde de velocidade de débito de diálogos): por trás da internet estão apenas as mesmas velhas questões de sempre que fazem de nós quem somos.
Dirão que isso faz de "A Rede Social" menos um filme do que uma peça?
Ah, mas é aí que entra a mãozinha mágica de Fincher, que se limita a sustentar, com delicadeza e inteligência, a estrutura de Sorkin, mas que o faz sem cair na armadilha de filmar à velocidade da internet ou de dirigir uma peça filmada.
É mais difícil do que parece, e a mestria de Fincher é a de estar à altura do argumento que lhe coube filmar.
"A Rede Social" é um grande filme.
E é um grande filme sobre coisas muito mais universais do que o Facebook.
Por: Jorge Mourinha (PÚBLICO)

20/11/10

ITÁLIA - ÍNDIA - INDONÉSIA



Não posso considerar que seja preguiçosa.
Na realidade, não tenho muita paciência para ler um livro de 300 folhas, não tenho pachorra para esperar semanas ou meses para saber o fim da história, se é muito mais fácil e para mim interessante ver toda a história de um enorme livro, em 2 horas que estou sentada numa sala de cinema e ver o filme.
Diz-se que “uma imagem vale mais que mil palavras”, eu concordo.
Quanto não vale ver toda a história em imagens e ouvir as palavras dos actores…
É o caso do recente filme que vi, que já saiu em livro há algum tempo e agora tive o prazer de ver o filme, e com uma das minhas actrizes favoritas: Julia Roberts.
Além de não ser por preguiça, é mesmo falta de tempo.
Como se consegue tempo para cumprir o meu horário de trabalho, acrescido de 50 minutos para ir e outros 50 minutos para regressar em transportes públicos, (no mínimo, há dias que é 1h de percurso em cada sentido), o que perfaz 90 minutos, ou seja, perco mais de 1h 30m além das 8h que estou dentro do serviço, são quase 10h do meu dia passadas…mais 5h 30m para dormir, enfim, com as refeições e outras coisas inerentes ao dia a dia normal, e ainda ter tempo para me dedicar a 2 blogues, a uma página no Facebook, uma página de fotografias no FLICKR, responder a e-mails, ter tempo para fazer um curso de fotografia, enfim…o tempo não dá para tudo…

Sinceramente tenho dificuldades em ler livros que são, tantas vezes, substituídos por filmes e excelentes filmes.
Por esta razão, não li o famoso “Eat, Pray, Love” que em português se chama “Comer Orar Amar”. A obra escrita por Elisabeth Gilbert chega ao cinema com um currículo literário invejável: nos Estados Unidos, o livrinho esteve no “top” de vendas durante 150 semanas, ou seja, três anos.

Há diferentes resumos desta história: “uma mulher desiludida que parte em viagem pelo mundo” e “a história de uma mulher em busca de um sentido para a vida”.
O romance autobiográfico de Elizabeth Gilbert segue os passos da autora através essencialmente de três países, Itália, Índia e Indonésia.
A razão para tal périplo é a fuga: Gilbert queria afastar-se de um casamento falhado.
Os criadores do filme optaram por Julia Roberts para o papel principal, o que é um valor seguro: qualquer espectador deste mundo – seja homem ou mulher – gostaria de acompanhar Julia nesta viagem de um ano que na tela dura mais de duas horas.
No filme existem bons actores e dispõe de magníficos espaços naturais, além de sobressair o sorriso iluminado de Julia Roberts.
O excelente Javier Bardem desta vez interpreta um brasileiro a viver em Bali.
Foi bom recordar a minha vivência em Roma (Itália) e na Índia através das imagens do filme, só ainda não estive em Bali…

13/11/10

COMER, ORAR E AMAR - FILME



Comer Orar Amar
Título original: Eat Pray Love
De: Ryan Murphy - Argumento: Ryan Murphy, Jennifer Salt
Com: Julia Roberts, Javier Bardem
Género: Drama - Classificacao: M/12
EUA, 2010, Cores, 135 min.

Aos 30 anos, Liz Gilbert (Julia Roberts) tem tudo o que poderia desejar: uma relação estável, independência monetária e uma carreira de sucesso. Mas, um dia, sem que nada o previsse, tudo se desmorona numa arrasadora crise conjugal que culmina num divórcio que a arrasta para uma profunda depressão.
Decidida a não se deixar levar pela tristeza, Liz resolve fazer uma pausa de um ano e ingressar numa grande viagem. E é assim que, viajando até Itália, ela conhece o prazer da comida; na Índia compreende o poder da meditação e, finalmente, na Indonésia encontra o balanço perfeito e redescobre o amor.
E serão esses 12 meses, cheios de novas tonalidades, culturas e pessoas, que irão transformar a sua vida para sempre.

O filme, realizado por Ryan Murphy, é baseado no livro de Elizabeth Gilbert sobre a sua experiência pessoal que, para além de se ter tornado um êxito de vendas, se transformou numa espécie de roteiro de viagens para milhões de pessoas em todo o mundo.

"Comer Orar Amar" é isso mesmo:
um veículo feito por medida para admirar Júlia Roberts, o seu sorriso misterioso, a sua boca sensual, os seus olhos grandes e iluminados.
Só ela conta, em Roma ou em Bali, na Cochinchina ou em Noting Hill. É pouco? Talvez, mas chega para contentar os fãs de uma das raras estrelas de uma arte que já existiu para as fazer brilhar. Se gosta da Julia Roberts, não perca.
(crítica no jornal Público online)

Temos tendência a esquecer-nos que Roberts é uma actriz inteligente - e aqui, num papel de mulher vulnerável que se abre ao mundo e à aventura, temos mais uma prova disso, ao ceder não poucas vezes a "vedeta" aos actores e actrizes que com ela contracenam (o seu momento com Richard Jenkins num terraço indiano é notável).
E essa inteligência é bem explorada pelo realizador Ryan Murphy, criador das séries "Nip/Tuck" e "Glee", que sabe como valorizar a sua imagem e o seu talento ao mesmo tempo. Dito isto, não se espere de "Comer Orar Amar", estruturado alternadamente como um filme de viagem sumptuosamente fotografado por mestre Robert Richardson e uma "woman''s picture" sobre uma mulher à procura de si própria, um grande filme: Murphy perde-se numa sequência de episódios soltos que nem sempre encaixam de modo coeso, deslumbra-se pontualmente com o luxo asiático das paisagens e dos cenários, cai aqui e ali no lugar comum da "americana em viagem" (ai aqueles planos de comida italiana, ai aqueles pôr-do-sol orientais).
Mas vamos ser sinceros: "Comer Orar Amar" não quer ser mais do que um veículo à medida de Julia Roberts, e como cumpre plenamente os seus propósitos, não podemos acusá-lo de falta de ambição. Além do mais, a menina Julia andava a fazer mesmo muita faltinha. Por: Jorge Mourinha (PÚBLICO)

06/11/10

HOMEM SOLITÁRIO - FILME



Há muito que não faço nenhum post sobre CINEMA.
Vou dar início aos posts de cinema com este filme que vi, ainda em finais de Setembro - SOLITARY MAN - com Michael Douglas, Susan Sarandon, Danny de Vito, Mary Louise Parker, Imogen Poots, Jena Fischer, Jesse Eisenberg, Richard Schiff.

Lógico que o elenco é óptimo, quando se consegue juntar nomes de tamanha categoria num só filme.
O herói do filme é um solitário, duas vezes divorciado, a última esposa nem vemos, apenas a primeira que é feita com simpatia e discrição por SUSAN SARANDON.
Esta produção independente tem sido saudada com elogios por causa da interpretação eficiente e autobiográfica de Michael Douglas.
Ao mesmo tempo passa outro filme com ele - Wall Street 2.

No filme ficamos sabendo que ele, bem-sucedido vendedor de carros usados, faz exames médicos e suspeitam de algo errado.
Resultado: ele nunca mais volta a qualquer médico e não quer saber de doença ou cura, embora mais tarde vá parar ao hospital por outra razão.
O protagonista não pode ver uma saia que vai atrás.
Ele namora uma mulher (Parker) que pode ajudá-lo na carreira, mas não resiste quando acompanha a filha dela até uma faculdade de Boston onde havia estudado para ajudar a conseguir uma vaga por lá. Resultado: porta-se mal e toda sua vida desmorona, é rejeitado pela filha que não o deixa ver o neto, o genro o detesta, e vai ser empregado de um amigo (DeVito).
Dá a imagem de uma pessoa desagradável, egoísta, por vezes perverso, com quem francamente não gostaríamos de estar ou ser amigo.
É um grande elogio a Douglas ver que ele torna o personagem humano e até suportável.

Resumindo: Ben Kalmen (Michael Douglas) é um charmoso mulherengo que, devido a sua infidelidade no casamento e a falta de discrição em diversas situações, é abandonado pela família e recomeça sua vida do zero. Assim, ele conhece uma garota bem mais nova, filha de um magnata, por quem se apaixona...

01/11/10

FUNICULAR DE ZAGREB


Este é o Funicular que existe na cidade de Zagreb, que faz a ligação de 2 zonas da cidade, numa pista de apenas 66 metros de distância, com uma inclinação de 52%, o que o torna um dos mais íngremes funiculares do mundo.
É considerado o mais curto elevador de transporte público do mundo.
A guia Dalma que nos acompanhava, fez a visita da cidade de cima para baixo, de forma a que, não tivessemos necessidade de subir de funicular.
Na imagem de baixo vê-se algumas pessoas do nosso grupo, a começar a descida numa ladeira junto ao percurso do funicular. Eu vinha mais à frente e virei-me para fazer a foto deles.
São 2 carros que fazem essa ligação, neste momento o nº 1 está na parte superior, cada um transporta 28 passageiros (16 sentados e 12 lugares de pé).



O funicular foi construído em 1890 e está em funcionamento desde 23 de Abril de 1893. Inicialmente tinha os motores a vapor que foram substituídos por eléctrico, em 1934.


29/10/10

DESABAFO



Muito se tem falado sobre o programa das Novas Oportunidades; é impossível haver um consenso, pois da parte de quem fez os estudos na escola normal, cumprindo ano a ano escolar revolta-se com estas “facilidades” que dão aos candidatos às NO.
Mas, não se põem do lado daqueles que, por uma razão ou outra, não puderam terminar o ensino secundário e acreditem que há razões fortes e graves para que isso não tivesse acontecido.
Lá diz o ditado: dentro do convento só sabe quem está lá dentro!!!
Faço parte das pessoas que ficou só com o 9º ano, com imensa vontade de terminar o 12º ano e tenho comigo o comprovativo da minha matrícula/inscrição no ano lectivo 2002-2003, aqui na Escola Secundária da Moita.
Motivos que para aqui não interessam, levaram a que não pudesse concretizar esse desejo e mais uma vez foi impossível fazer o 10º, 11º e 12º anos da forma normal, nas unidades capitalizáveis como se usava na época.
Assim que me apercebi que poderia fazê-lo através das NO, inscrevi-me e a minha história foi muito triste, sozinha fiz tudo desde o momento da inscrição até à conclusão do RVCC.
Nunca tive alguém ao meu lado, a não ser uma ou outra amiga que, à distância, iam dando força e ânimo, sempre dizendo que eu era capaz de o fazer, mas fi-lo debaixo de uma grave depressão major.
Apenas e só porque a minha chefe directa no meu local de trabalho não queria que eu fizesse o RVCC (nunca entendi porque razão ela não partilhava daquele direito que eu tinha, ela bem tentou proibir-me usando todos os argumentos possíveis…só que acima dela existia o Director da Instituição, que sabendo que era um direito que me assistia “autorizou” que eu continuasse o processo, fi-lo contra a vontade da m/chefe e arranjei uma inimiga para o resto da vida…)
só quem já passou por um dilema destes pode imaginar o que passei no local de trabalho.
Lógicamente que, quando terminei o processo do RVCC fiquei super feliz, foi uma vitória completamente solitária mas com bom aproveitamento, no entanto, sempre que compartilho com alguém, seja aqui na blogosfera como já o fiz, ou na vida real, vejo e sinto uma acusação nos olhares e nas palavras de todos que me rodeiam, porque acham uma injustiça conseguir um “Certificado” de Certificação de Competências e não um “Diploma” do 12º ano, como muitos pensam!!!
Como já fiz ver, há situações e situações e a minha foi triste e dolorosa até o conseguir, por isso, custa-me receber tantas críticas sobre o processo em causa. Acreditem que, nem durante nem depois disso “não roubei o lugar a ninguém” no meu local de trabalho.
Também “nada ganhei” com isso!!! Nada, garanto-vos.
Tenho tido azar nos locais de trabalho por onde passei nos últimos 5 anos de actividade laboral, tanto da parte da dita chefe a que me referi, bem como posteriormente.
Na minha última avaliação de desempenho fui bastante “prejudicada” em relação a outra colega que apenas tem a 4ª classe, não sabe enviar um fax, não sabe puxar uma chamada telefónica, enfim…não sabe fazer coisas que são inadmissíveis em pleno século XXI, no entanto, de nada valeu o meu acto de completar o ensino secundário através do RVCC e essa colega teve Muito Bom na sua avaliação e eu tive um Bom…

Sei qual o meu valor como funcionária e sei que fui tremendamente injustiçada, por isso, digo-vos: não me critiquem por ter tido o trabalho de fazer o RVCC, durante 15 meses.
Também vos digo que não é fácil, embora todos pensem que aquilo se faz com uma perna às costas, não é nada disso.
Deu-me imenso trabalho e os formadores foram muito exigentes comigo, pois tenho uma rica vivência tanto laboral como pessoal e queriam que eu ali escrevesse tudo e mais alguma coisa, terminei o meu portfólio com mais de 100 páginas e para eles nunca chegava, exigiam sempre mais e mais.
No próximo post apresentarei relatos de crónicas que tem aparecido na imprensa sobre este tema.
Uma dessas crónicas inicia deste modo:
Um em cada três adultos afirma que a Iniciativa Novas Oportunidades (INO) teve "pelo menos" um factor positivo na sua vida profissional. Destes, a maioria dos que mudou de emprego diz que o fez para melhor. Há ainda cerca de dez por cento que sentiu melhorias nos salários. Além da vida profissional, também na pessoal, verifica-se um acréscimo da auto-estima, revela a avaliação externa coordenada pelo ex-ministro da Educação Roberto Carneiro, da Universidade Católica Portuguesa.

No meu caso, não houve nenhum factor positivo na vida profissional, apenas na pessoal, talvez um acréscimo da auto-estima; no entanto, muito sinceramente não tem grande valor como eu pensei que fosse ter, talvez pela mágoa que me acompanhou todo o processo, como já expliquei e acreditem muitas vezes até me esqueço que já tenho o 12º ano, quando me perguntam quais as minhas habilitações respondo o 9º ano, pois foram dezenas de anos a dizer o mesmo, ainda não me habituei a dizer: 12º ano.
A imagem aqui inserida reflecte o que tem sido a minha vida, como este barco que corta a água, lutando contra ventos e marés, para seguir em frente, em direcção ao seu objectivo!!! Foto minha.

23/10/10

DESPERTAR DA MINHA CONSCIÊNCIA




De quando em vez…preciso de parar e reflectir para o “Despertar da minha Consciência”, do meu próprio ser, o resgate da minha individualidade psicológica.

Pretendo com isso tornar-me mais consciente de mim mesma, do meu mundo interior, das coisas que me cercam, do universo, ampliando a minha capacidade de sentir, tornando-me mais lúcida, com maior capacidade de amar e partilhar...

Todos queremos a paz, a liberdade, a felicidade e o bem estar. Porém, quanto mais buscamos estes valores, mais nos parecem ideais distantes, tanto a nível individual, como a nível da sociedade em que nos inserimos.
Uma breve reflexão é necessária, para que possamos compreender estes dilemas.

O EXTERIOR É O REFLEXO DO NOSSO INTERIOR.
Muitas vezes buscamos nas coisas externas as explicações, as justificativas e até mesmo as evasivas para os problemas que nos cercam, que nos atribulam, problemas familiares, no trabalho e no nosso meio social.
Ansiosos, stressados, preocupados demais, esquecemo-nos de nós mesmos, do nosso mundo interior, com seus diversos aspectos psicológicos.
Não percebemos que enquanto acontecem os eventos externos, ao mesmo tempo, naquele mesmo instante, estão acontecendo os problemas interiores.

Perceber esta relação, este movimento interior psicológico, é a base de todo trabalho de desenvolvimento interior... a isto se chama auto-observação.

Posso dar um exemplo... Se estiver discutindo com alguma pessoa a respeito de determinado assunto ou questão que me desagrada e neste momento dirijo minha atenção ao meu interior, percebo que na mente surgem pensamentos, emoções, como se outras pessoas falassem dentro de mim e por mim, ou agredindo, ou tomando partido ou considerando com sarcasmo algum tópico da discussão; muitas vezes, uma coisa trivial, um facto insignificante, causa dentro de nós uma verdadeira avalanche de sentimentos e pensamentos...
Assim é o nosso mundo interior naquele momento, reflectindo e sendo reflectido...


A nossa mente trabalha de uma forma ininterrupta, como um gravador com a tecla STOP partida, sem controle. Podemos perceber com mais clareza este processo à noite, quando queremos dormir e vem as preocupações em forma de pensamentos e os compromissos do dia seguinte, que não param de surgir na nossa mente, não nos deixando descansar, martelando sistematicamente, esgotando as nossas últimas energias.

Ora, se os nossos aspectos mentais reflectem esta desorganização, se o nosso interior está repleto de insatisfações, negativismo, ódios e exteriormente reflectimos sofrimentos, tristezas, acontecem problemas, ficamos longe da paz e do bem estar...
E, era assim que eu estava! Muitas coisas foram acontecendo, no meu local de trabalho, na minha vida familiar e social.
Amigas e familiares me decepcionando, magoando-me.
EU TINHA QUE REAGIR…parar e afastar-me. Eu não chamo a isto “fugir”, mas afastar-me do quotidiano, esquecer problemas de saúde, idas aos médicos, tudo, tudo, tudo.

Para que possamos mudar o destino das nossas vidas para melhor, necessitamos mudar o nosso interior, mudar nossos aspectos psicológicos...
Isto requer acção, e acção imediata.
E, ficando no mesmo lugar físico onde as coisas más acontecem, vou continuar a lidar com elas a todo o instante, por isso, há que “partir”, sim…ir em busca de paz interior para longe.
Foi o que fiz!
E, como foi bom.
Muito bom mesmo!!!
Conheci outras pessoas, convivi com outras culturas e vi paisagens e lugares maravilhosos. Estou com as baterias recarregadas para algum tempo (creio eu…).

10/10/10

HOMENAGEM À TÂNIA - 10-10-10


HOJE é um dia muito triste - a Tânia faria 28 anos!
Tudo seria diferente se ela estivesse junto a nós, mas... a sua ausência física é muito sentida no meu coração e na minha vida, para ela vão as minhas orações e estas lindas rosas brancas.

30/09/10

IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA NA MOITA

Historial
O lugar de MOUTA, situado na margem esquerda do lendário rio Tejo, foi em tempos remotos um dos muitos lugares que pertenceu ao antigo concelho de Ribatejo, compreendido entre a região do rio de Coina, e a Ribeira das Enguias, a Oriente. Não se sabe quem fundou o Lugar de MOUTA, o que se sabe é que o Lugar já existia logo após a nacionalidade portuguesa. A etimologia do Lugar deriva da palavra MOUTA que segundo a sua semântica significa uma zona encovada, com altos e baixos, cheia de matagal, de árvores de várias espécies e formada por vegetação rasteira; tal facto, estará na origem da designação do Lugar de MOUTA, nome que mudou mais tarde para MOITA DO RIBATEJO e por o Concelho de Ribatejo se ter extinguido já há muito (Séc. XV), o nome caiu em desuso, ficando somente o topónimo de MOITA, nome que ainda hoje se mantêm. O documento mais antigo e actualmente conhecido, que alude ao Lugar de MOUTA, encontra-se referido nos Benefícios e Ofícios da Vila de Alhos Vedros da Apresentação da Ordem, dado na Era de 1274, por doação de D. Sancho II e confirmado por D. Afonso III, Conde de Bolonha, em 1293, (1) consta dos registos do Livro do Tombo de Aldeia Galega, Alcochete e Alhos Vedros, salvaguardados no Arquivo Nacional Torre do Tombo, Ordem de Santiago, Convento de Palmela.
O LUGAR DE MOUTA, cresceu e desenvolveu-se com a capacidade técnica dos pescadores (faina da pesca), dos marítimos (no transporte de pessoas e bens) e dos salineiros (com a marnotagem); deste modo desenvolveram-se as primeiras populações que se fixaram neste local. Porém nos períodos que não coincidiam com o amanho das salinas, da lavoura e da pesca, as populações desempenhavam um papel importante, desbravando as moitas de arbustos e transformando-as em combustível: o carvão. As primeiras casas, rústicas choupanas colmadas, ergueram-se onde outrora só existiam moitas de arbustos, que depois se foram transformando em habitações regulares.
Na muralha junto ao tabuleiro do Cais da Moita, está uma lápide, consideramos de um grande valor histórico que representa para a vila da Moita:
EM UTILIDADE PÚBLICA POR ARBÍTRIO DO SENADO DESTA VILA DA MOUTA À CUSTA DOS DONOS DOS BARCOS E NAVEGANTES DELES TEM PRÍNCIPIO EM 4 DE AGOSTO DE 1722 E FINDO EM 5 DE FEVEREIRO DE 1723. Aqui se efectuaram, desde tempos imemoriais, os embarques para Lisboa de mercadorias e viajantes, de tal forma que a frota fluvial chegou a ser considerável; e em terra eram os carros e as carretas que transportavam os imensos produtos para o cais da Moita, com destino a Lisboa e a outras localidades.
As Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem em 28 de Setembro de 1826 e as Tradicionais corridas de Toiros, tiveram o seu início em 8 de Setembro de 1734. Inigualáveis festejos de tradições arreigadas no espírito dos portugueses as quais estão classificadas pelos forasteiros como a RAINHA DAS FESTAS PORTUGUESAS.
A Implantação da República na Vila da Moita:
A BANDEIRA REPÚBLICANA FOI HASTEADA NO EDIFÍCIO MUNICIPAL DO CONCELHO DA MOITA, NO DIA 4 DE OUTUBRO DE 1910, PELAS QUATRO E MEIA DA MANHÃ NO MEIO DO MAIOR REGOZIJO DO POVO.
Como Referência à primeira Junta da Paróquia, funcionou até à extinção da monarquia. Depois com a implantação da República, ainda se manteve até 1916, nas instalações da Fábrica da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem.

No dia 4 de Outubro, a partir das 21:30h, a Praça da República, na Moita, vai ser palco para uma reconstituição histórica do dia 4 de Outubro de 1910, na Moita.
Esta iniciativa integrada no âmbito das Comemorações do Centenário da Revolução Republicana no concelho, que evoca um facto importante, por vezes desconhecido, da história local, uma vez que o hastear da bandeira republicana no edifício municipal, na Moita, decorreu em antecipação à proclamação da República na capital, a 5 de Outubro de 1910.
Esta reconstituição histórica, organizada pela Câmara Municipal da Moita, conta com a parceria dos Ranchos Folclóricos do concelho, da Escola Técnica Profissional da Moita, da Associação de Romeiros da Tradição Moitense e da Banda Musical do Rosário.
De salientar que, devido à realização da reconstituição histórica, o trânsito estará encerrado e o estacionamento interdito, no dia 4 de Outubro, a partir das 21:00h, na Rua Miguel Bombarda e na Praça da República, na Moita.

25/09/10

RIA FORMOSA - 7 MARAVILHAS NATURAIS

Um passeio por uma das recém-eleitas Sete Maravilhas Naturais de Portugal.
Há bem pouco tempo fiz alguns posts sobre a "Serra da Arrábida" e a praia "Portinho da Arrábida", que também estiveram entre as finalistas à eleição das "Sete Maravilhas Naturais de Portugal".
Lógico que votei nos lugares que já conhecia, mas há sempre aqueles que ainda estão por conhecer, neste caso: Parque Natural da "RIA FORMOSA".
Divididos por sete categorias, todos eles são locais de beleza rara e de características únicas, que a natureza ofereceu ao ser humano, com a esperança de que este se comprometa a respeitar.


Ria Formosa venceu na categoria "Zonas marinhas" - Algarve
A fragilidade da natureza sente-se de forma premente na Ria Formosa que, ano após ano, transforma os seus contornos à mercê das marés e dos caprichos do homem.
A Ria é um território ecológico, desde 1987 protegido pelo estatuto de Parque Natural, que se estende por 60 quilómetros, da praia do Ancão à Manta Rota, ao longo da costa do Sotavento algarvio, ocupando uma superfície de cerca de 20000 hectares.
É um sistema lagunar complexo, enquadrado por duas penínsulas (Faro e Cacela) e cinco ilhas-barreira (Barreta, Farol, Armona, Tavira e Cabanas), que servem de protecção a um labirinto de sapais, canais e ilhotes e que são fundamentais para a defesa natural das zonas ribeirinhas da Ria Formosa.
Este é um ecossistema generoso. Para os que o querem apreciar e conhecer-lhe os segredos de todas as espécies que lá habitam - como o caimão-comum, uma espécie rara que em Portugal existe exclusivamente nesta região -, mas também para os que lá vivem e da Ria retiram o seu proveito, através da apanha de peixes, moluscos e crustáceos, e da exploração do sal.
A zona está ameaçada pela constante subida das águas do mar, o assoreamento da Ria, a construção desordenada e os picos sazonais do turismo.
É, das recém-eleitas Sete Maravilhas Naturais de Portugal, a que mais urgentemente precisa de cuidados.
Esta imagem foi captada durante o passeio de barco até à Ilha de Tavira, já no parque natural da RIA FORMOSA - belos os Flamingos cor-de-rosa!

Esta imagem captei-a no cimo de "Cacela Velha" - local maravilhoso que descobri num sotavento que andei a palmilhar entre Tavira e Vila Real de Santo António. ADOREI.

19/09/10

FOI ASSIM QUE TUDO COMEÇOU...em 2008

Foi assim que tudo começou, em 2008, com a minha participação no 3º RAID FOTOGRÁFICO da Moita. Depois disso fiz a minha 1ª exposição individual de fotografia precisamente no Posto de Turismo da Moita, em que o tema era a Índia...e, nunca mais parei.
Este ano o desafio voltou a aparecer, desta forma:
Tem uma máquina fotográfica digital e jeito para tirar fotografias diferentes? Não perca tempo e inscreva-se no 5º Raid Fotográfico da Moita que a Câmara Municipal da Moita vai promover no dia 18 de Setembro, entre as 10:00h e as 24:00h, no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Turismo.
E...assim fiz - INSCREVI-ME e ontem andei entusiasmada a captar imagens, algumas delas mostro aqui em 1ª mão.
O objectivo era simples: mostrar o concelho na sua vertente turística. Os diferentes temas a fotografar foram divulgados no momento da credenciação, às 9:45h do dia 18 de Setembro, ONTEM, no Posto de Turismo Municipal.
A participação é sempre gratuita e aberta a todos os interessados, excepto fotógrafos profissionais.
Aproximava-se a hora de almoço e deparei-me com estas imagens, muito movimento para dentro de um barco, em que o panelão esperava pelos ingredientes para uma deliciosa "Caldeirada". Eles já estavam juntos à panela e, ali fiquei a apreciar o que iria acontecer. Então, a cozinheira começa a picar as cebolas para dentro do panelão, e...por aí em diante. Uma aula de culinária, ao vivo e a cores, dentro de um barco, no rio Tejo.

O dia amanheceu cinzento, escuro e as nuvens carregadas anunciavam chuva...a cor do céu não ajudou nas fotos que fiz da parte da manhã. De tarde tudo mudou, o céu foi ficando mais claro e o sol brilhou.
O ano passado não participei no 4º Raid Fotográfico da Moita, que foi dia 19 de Setembro, precisamente há 1 ano, porque nesse mesmo dia foi a inauguração de outra exposição minha, em S. Mamede de Infesta.
Houve 765 trabalhos apresentados na 4ª edição do Raid Fotográfico da Moita e contou com 51 participantes que percorreram o concelho da Moita tentando captar as melhores imagens do município da Moita.
Fresquinha...
uma das fotos que captei ontem durante o raid.

13/09/10

AGRADECIMENTO À "ZAMBEZIANA" GRAÇA

Estou em dívida com a Amiga Graça do blog "ZAMBEZIANA" de quem recebi este selo, com um desafio. Dizer "O que mais te fascina numa pessoa?"
Começo por lhe agradecer o selo, e dizer que, embora o blog ao qual a Graça o atribuiu é o outro blog "Momentos Perfeitos", no entanto, há algum tempo que decidi que aquele blog seria apenas e só para reportagens fotográficas das minhas viagens pelo mundo e passeios cá dentro de Portugal.
Expliquei à Amiga Graça que iria agradecer neste blog, o selinho que me deu com tanto carinho, e aqui estou a fazê-lo.
O que mais me fascina numa pessoa?
Bem…por vezes uma só qualidade deixa-me fascinada, outras vezes será a junção de vários factores, depende.
Uma personalidade interessante e ser afectuosa.
Outras vezes, o carácter e a transparência nos seus actos.
Quando sinto que uma pessoa é genuína também fico fascinada, embora nos dias de hoje haja poucas pessoas com esta característica.


Mais uma vez questionei os arcanos e saiu-me a carta: 4 de Ouros que diz:
SEPARANDO O JOIO DO TRIGO: O 4 de Ouros como arcano de aconselhamento emerge do Tarot neste momento para você, Ester, apontando este como sendo um momento que demanda maior senso do que realmente tem valor em sua vida. Sua atenção será chamada para as coisas que realmente importam, a fim de que você saiba separar o que é mera distração do que tem significado pessoal de importância. Ao mesmo tempo, você precisará trabalhar um pouco mais o seu desapego, a fim de não se deixar limitar por apenas um aspecto ou pessoa da sua existência. Tome cuidado com a inveja alheia, não por medo de “energias” negativas, mas para evitar atitudes de sabotagem por parte dos outros. Conselho: Aprenda a proteger-se devidamente.


05/09/10

NOTHINGANDALL - PARABÉNS


PEDAÇOS DE MIM
Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão
Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,
para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
(
Martha Medeiros)
Hoje faço uma homenagem merecida ao meu Amigo Fernando do blog "Nothingandall" por tudo o que ele é, virtualmente já nos cruzamos há uns 5 anos pela blogosfera, mas...faz este mês 1 ano que o conheci pessoalmente e quero agradecer o Amigo que ele tem sido na minha vida.
Além de todo o seu trabalho no fascinante blog que tem e que comemora 6 anos de muita dedicação. Muitos Parabéns Fernando!!!
A ti, que gostas de poesia ofereço-te "Pedaços de mim".
As palavras escritas por "Martha Medeiros" que aprecio imenso a sua escrita, tocam-me profundamente pois parecem saídas da minha boca e da minha alma.
Aproveito para publicamente agradecer ao Amigo Fernando, a sua querida presença no dia da abertura da minha exposição em S. Mamede de Infesta em Setembro de 2009. Como podem ver pela foto, o Fernando foi o primeiro a deixar umas palavras tão especiais no livro de visitas da exposição.
O quadro que está por cima da mesa na foto, é sempre o mais apreciado e desejado por todos quantos visitam a exposição e, este deixei-o lá, no "Flor de Infesta" ofereci-o à colectividade, pelas mãos do seu Director Sr. Augusto Silva, um encantador Senhor que tive o prazer de conhecer.

29/08/10

VINDIMAS 2010 - REGATA DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

De 1 a 7 de Setembro, vai decorrer a 48ª edição das Festas das Vindimas, uma festa de referência na região de Setúbal. Maria Amélia Dores, presidente da Comissão das Festas das Vindimas de Palmela, referiu a qualidade da programação. Sublinhou que, mais uma vez, “os cortejos serão o ponto alto das festas”.
Lamentou que por dificuldades financeiras, não se realize o tradicional fogo de artificio no encerramento. Maria Amélia Dores recordou que foi feita uma Campanha de recolha de donativos, por sugestão do Maestro Jorge Salgueiro, com a finalidade de obter verbas exclusivamente para o fogo de artificio. Referiu que foram depositados na conta bancária criada para o efeito 2.760 euros, verba insuficiente para que possa ser realizado a sessão de Fogo de Artificio, cujo custo rondava os 15 mil euros. As pessoas que contribuíram e pretendam reaver a verba podem solicitar á Comissão de Festas até 30 de Setembro, após este prazo a verba será integrada nas contas corrente da Comissão de Festas.
“Muitas pessoas dizem: dei, está dado” – sublinhou.
Amílcar Malhó, destacou a colocação de um Painel - «MURAL DE OURO» onde vão ser divulgadas as mais de 200 Medalhas de Ouro de vinhos, que as empresas de Palmela já conquistaram em Concurso Internacionais.
“Este ano damos destaque às Medalhas de Ouro, será o Mural de Ouro” – referiu.
Existindo rumores que este ano não haveria a bênção do primeiro mosto, nem a pisa das uvas, Maria Amélia Dores, presidente da Comissão das Festas das Vindimas de Palmela, sublinhou que “a pisa das uvas é o espírito das festas”, que, decorrerá, como é tradicional, no Adro da Igreja, com a respectiva Missa de Acção de Graças.
Eleição da Rainha das Vindimas no dia 31 de Agosto
“As Festas das Vindimas têm uma grande importância cultural” - referiu Ana Teresa Vicente, presidente da Câmara Municipal de Palmela, acrescentando – “O vinho é uma actividade nobre da nossa Região, é um produto de uma importância extraordinária na nossa economia local e na nossa imagem”.
As tradicionais Festas em Honra de Nossa Sr.ª da Boa Viagem estão a chegar. É já entre 10 e 19 de Setembro que a vila da Moita vai receber as suas festas populares, com tauromaquia, actividades ligadas ao rio, espectáculos musicais e muito mais. A apresentação pública do programa das Festas da Moita está marcada para o dia 2 de Setembro, pelas 21:30h, no Largo da Igreja, na Moita.
Esta apresentação pública vai ser, por si só, um momento de animação e convívio onde não vão faltar as danças sevilhanas, pelo Grupo “Soledad” e um Churrasco Típico, gratuito, para toda a população.

HOJE - O Tejo vai encher-se de faluas, canoas, catraios e também de embarcações de passeio da Marinha do Tejo, na Regata do Centenário da República, a realizar no dia 29 de Agosto, entre a marina do Parque das Nações e o Cais da Moita.
Ainda antes da partida, que será pelas 16h00, a concentração de barcos da Marinha do Tejo - instituição que reúne várias associações detentoras de 57 embarcações entre catraios e canoas - far-se-á logo pelas 06h00 da manhã, num local emblemático: o cais da Moita, município onde a 4 de Outubro se implantou a República.
É na margem sul, num local pleno de tradição em matéria de preservação do património náutico do Tejo, que se inicia o desfile. Ele vai encher o Tejo de cor e de velas, num passeio que rumará até à marina do Parque das Nações.

18/08/10

PABLO NERUDA


Tu eras também uma pequena folha
(Pablo Neruda)

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
HOJE, estou a festejar as 23.000 visitas que já tive neste blog, desde o dia 4 de Abril de 2008, há 2 anos e 4 meses.
Por isso, ofereço a todos os que me visitam e aos 62 SEGUIDORES que este blog tem, uma foto minha juntamente com um poema tão belo de PABLO NERUDA.
Obrigado a todos pela vossa presença.

11/08/10

VENCEDOR DO FESTIVAL INDIE LISBOA 2010

Desta vez a minha escolha recaiu num filme que não é sinónimo de sucesso de vendas de bilheteira do cinema americano. Um filme diferente:
VÃO-ME BUSCAR ALECRIM
Título original: Go Get Some Rosemary
De: Ben Safdie, Joshua Safdie
Argumento: Joshua Safdie, Ben Safdie, Ronald Bronstein
Com: Ronald Bronstein, Sean Williams, Eléonore Hendricks
Género: Comédia Dramática
Classificacao: M/12 EUA/FRA, 2009, Cores, 96 min
Lenny (Ronald Bronstein) é um nova-iorquino divorciado e pai de dois rapazes. Durante apenas duas semanas por ano, tem a guarda dos filhos Frey (Frey Ranaldo), de sete anos, e Sage (Sage Ranaldo), de nove. Apesar de todo o amor que lhes dedica, Lenny tem uma vida desregrada, não conseguindo assumir a responsabilidade que duas crianças exigem. Dessa forma, e apesar do seu esforço genuíno, essas semanas acabam por ser uma aventura no limiar da irresponsabilidade, entre o riso e a inquietação.
Escrito e realizado pelos irmãos Josh e Benny Safdie, é inspirado na infância dos realizadores na cidade de Nova Iorque sendo uma homenagem ao seu próprio pai. Estreou em 2009 na quinzena dos realizadores de Cannes 2009 e foi o filme vencedor do Festival IndieLisboa2010.

Os críticos de cinema fazem esta apreciação:
Vasco Câmara - 5 estrelas;
Luis Miguel Oliveira - 4 estrelas.
É refrescante a forma de filmar a infância assim: o caos total.
Neste panorama, é refrescante encontrar um filme que, como "Vão-me Buscar Alecrim", seja capaz de filmar a história (disfuncional) de um pai divorciado (um "pai solteiro") e dos seus dois filhos desta maneira: caos total, a linha da irresponsabilidade cruzada mais do que uma vez, e no entanto...
E no entanto, a relação entre aqueles três exala uma autenticidade sentimental comovente, uma espécie de felicidade acossada menos pelos sucessivos desastres do que pela maneira condenatória como o mundo (os "outros") olha para os desastres.
Quer dizer, "Vão-me Buscar Alecrim" é a história de um "pai-herói", mas cuja heroicidade só é (só será, um dia) reconhecida pelos filhos. Toda a gente, todos os adultos, dos professores da escola à mãe das crianças, vê naquele homem apenas um irresponsável eventualmente perigoso; mas aqueles dois miúdos, Sage e Frey, quando crescerem, farão muito provavelmente um filme sobre o pai (que até é projeccionista e lhes mostra filmes, em película e tudo).
Assim o fizeram, pelo menos, Joshua e Benny Safdie, dois nova-iorquinos de vinte e poucos anos: "Vão-me Buscar Alecrim" é a autobiográfica homenagem ao pai de ambos. Podemos acreditar facilmente nesta Manhattan de "hot-dogs" e jardins, apartamentos atravancados, tascas e lojinhas - podemos acreditar que é nesta Manhattan que as pessoas, de facto vivem.
(texto do publico-online)


Longe de Manhattan: o plano final, supra-sumo da melancolia desafectada com que os Safdie filmam esta história, sugere que talvez do outro lado do rio, não muito longe mas suficientemente longe dali, o pai e os dois filhos encontrem o que lhes falta, o tempo e o espaço.


Os irmãos Safdie, realizadores de Vão-me buscar Alecrim, descobrem um novo ângulo, que não é mais do que uma visão pessoalíssima da Nova Iorque que os viu crescer.
Vão-me buscar Alecrim ganhou o prémio principal da última edição do Indie Lisboa. É uma homenagem ao pai e à própria cidade, com fortes traços autobiográficos. Esclareça-se: aqueles dois irmãos reguilas, interpretados por Serge e Frey Ranaldo (filhos de Lee Ranaldo dos Sonic Youth
), não são mais do que os próprios realizadores. E muito do que o filme mostra aconteceu-lhes mesmo.
De certa forma, é uma história de amor paternal, de um pai que se confunde com um irmão mais velho, numa paixão assolapada, imatura mas consistente pelos filhos. Tal faz com que o seu amor nunca seja posto em causa, mesmo quando, de forma imprudente ou negligente, põe a vida das crianças em risco, através do uso imponderado de soporíferos. Perdoamos imediatamente aquele pai, assim como os próprios filhos o fazem ao realizarem este carinhoso filme. Até porque, muito provavelmente, também o pai, que era projeccionista, influenciou as suas vocações.
Logo no início do filme, a câmara, aparentemente distraída, encontra, como por acaso, um homem, que acaba por ser o protagonista. Depois de comprar um cachorro quente, salta uma vedação do Central Park e tropeça, deixando cair a salsicha e tudo o resto. Ri-se sozinho, como se fosse um tolo. E assim fica retratada a personagem brilhantemente interpretada por Ronald Bronstein, um grande actor que nem sequer actor é (os irmãos Safdie levaram o espírito independente ao extremo de convidar o seu editor de imagem para actor principal). Percebemos que Lenny está apenas feliz porque chegou a altura do ano em que fica com os filhos.
Aquela vedação do Central Park, em que ele tropeça, é o que o separa da zona fina de Upper Manhatan, onde os filhos vivem tranquilamente com a mãe. Os miúdos são uns traquinas, capazes das maiores tropelias, como carregarem uma bisnaga de urina e disparem contra o babysitter. Mas o pai não lhes fica atrás, com o seu carácter hiperactivo, acriançado, irresponsável. Mostra uma envolvência física e emocional com os filhos, como um leão com as suas crias.
Assim é transmitida uma sensação de felicidade louca e espontânea, como de uma paixão, apesar de os resgatar de uma casa luxuosa, para um apartamento minúsculo da zona baixa da cidade.
A personagem, tal como nós, não se conforma com o fim daqueles dias, num tempo em que a custódia era mal dividida entre divorciados. E, mais uma vez, aceitamos o que o que aparentemente é condenável: o pai, que serve para quase tudo menos para ser pai, rapta os filhos, e parte, de frigorífico às costas, com as crianças debaixo dos braços, no esplendoroso teleférico de Roosevelt Island. (cena hilariante...)

E até acreditamos que a viagem não acaba logo ali, do outro lado do rio, mas apenas numa nuvem dos céus de Manhattan.
(texto e imagens da net)